segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
gonna take you for a ride on a big jet plane
o que eu queria este ano era levar-te a viajar.
a paris ou amesterdão.
já tenho saudades da adrenalina da aventura e de andar de avião.
gosto de nós longe, em viagem, em descoberta.
gosto de nós sozinhos perdidos pelo mundo.
gosto de ver como funcionamos bem em equipa.
gosto tanto de ti e este ano queria era levar-te a viajar.
parabéns my love.
( ♪ )
a paris ou amesterdão.
já tenho saudades da adrenalina da aventura e de andar de avião.
gosto de nós longe, em viagem, em descoberta.
gosto de nós sozinhos perdidos pelo mundo.
gosto de ver como funcionamos bem em equipa.
gosto tanto de ti e este ano queria era levar-te a viajar.
parabéns my love.
( ♪ )
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
domingo, 23 de dezembro de 2012
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
i don't care
há qualquer coisa de extremamente sensual nesta canção ao minuto seis ponto quinze, quando ele roça o nariz no microfone.
a sério.
a sério.
take me away
ainda bem que o mundo não acabou.
não me apetecia nada desaparecer.
houve uma altura da minha vida em que me sentia como nesta canção, mas agora não.
secalhar a vida está mais complicada mas sinto-me bem.
como nos tempos desta canção, voltei a apanhar um táxi e o taxista meteu-se comigo.
pareço despertar a curiosidade dos taxistas.
já sei que me vão dizer que sou eu e toda a gente, que os taxistas são mesmo assim.
mas olhem que não, tenho tantas histórias com taxistas que já podia fazer um livro.
sei lá, nos tempos desta canção sentia dor.
agora não sei se sinto alguma coisa.
anestesiei-me para não sentir medo.
já fui tantas pessoas.
não me apetecia nada desaparecer.
houve uma altura da minha vida em que me sentia como nesta canção, mas agora não.
secalhar a vida está mais complicada mas sinto-me bem.
como nos tempos desta canção, voltei a apanhar um táxi e o taxista meteu-se comigo.
pareço despertar a curiosidade dos taxistas.
já sei que me vão dizer que sou eu e toda a gente, que os taxistas são mesmo assim.
mas olhem que não, tenho tantas histórias com taxistas que já podia fazer um livro.
sei lá, nos tempos desta canção sentia dor.
agora não sei se sinto alguma coisa.
anestesiei-me para não sentir medo.
já fui tantas pessoas.
natal dos hospitais
já sei que para o ano não vamos concorrer ao festival eurovisão da canção.
mas e o natal dos hospitais?
tinha sempre pena de perder o natal dos hospitais por estar a trabalhar.
tenho a memória duma tarde inteira sentada no sofá a ver televisão, eu, a minha mãe e a minha tia, as pernas tapadas com uma manta e as luzes da árvore de natal a piscar.
tenho a memória de tardes inteiras a ouvir o eládio clímaco, o fialho gouveia, o júlio isidro, o carlos cruz, a maria elisa, a alice cruz e mais umas quantas*.
mas e o natal dos hospitais?
tinha sempre pena de perder o natal dos hospitais por estar a trabalhar.
tenho a memória duma tarde inteira sentada no sofá a ver televisão, eu, a minha mãe e a minha tia, as pernas tapadas com uma manta e as luzes da árvore de natal a piscar.
tenho a memória de tardes inteiras a ouvir o eládio clímaco, o fialho gouveia, o júlio isidro, o carlos cruz, a maria elisa, a alice cruz e mais umas quantas*.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
elementar
claro que dado ser carneiro de vez em quando me corre mal isto de me saltar a tampa e meto a pata na poça.
à grande.
comigo é tudo à grande, até a asneira.
à grande.
comigo é tudo à grande, até a asneira.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
sou carneiro
quando eu fui para o colégio, aos cinco anos, todos os meses a minha mãe me lia em voz alta o que a professora escrevia na "caderneta de comportamento": participativa, observadora, mas com mau génio.
o problema é que passados estes anos todos o mau génio não desapareceu.
e é sempre o mau génio o primeiro a vir ao de cima.
o meu primeiro instinto é o de carneiro, o de levar tudo à frente, de marrar contra tudo e contra todos.
e nem sequer acho que seja impulsividade, porque na maior parte das vezes tenho a noção do estrondo, consigo vislumbrar a dimensão e a gravidade das consequências dos meus atos.
ainda assim é mais forte do que eu, a minha primeira reação é pensar quantos são, venham todos, vamos a eles que até os comemos.
e esta fúria consome-me, deixa-me roída por dentro quando me contrario e não lhe dou largas.
a agravar tudo isto sou rápida de raciocínio e gosto de esgrimir palavras.
sou contundente, incisiva, sei perfeitamente onde calcar para doer.
mais, raramente tenho dúvidas e nunca me arrependo.
isto para justificar que andei um dia inteiro com uma coisa na cabeça, a tentar minimizá-la, a empurrá-la lá para trás, a respirar fundo, a contar até mil, a interiorizar o mantra da superioridade e aquela ladaínha infantil do ricochete na couraça da minha indifererença.
mas sou carneiro.
ah porra e que bem me soube!
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
mudam-se os tempos
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Luis Vaz de Camões
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Luis Vaz de Camões
domingo, 16 de dezembro de 2012
hoje
hoje só precisava deste vazio, desta lareira e desta janela por onde ver a luz a fugir.
hoje só precisava desta paz e deste tempo para saber que já não quero.
hoje acordei cansada e soube que era chegado o momento de mudar.
a mudança já começou, já a tinha sentido por aqui.
hoje chegou o momento de lhe dar forma.
hoje só precisava desta paz e deste tempo para saber que já não quero.
hoje acordei cansada e soube que era chegado o momento de mudar.
a mudança já começou, já a tinha sentido por aqui.
hoje chegou o momento de lhe dar forma.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
christmas wish
daqui a muito, muito tempo, quando o r já não for um menino, espero que se lembre de mim com um sorriso e a doçura da complacência que só temos para com aqueles por quem nutrimos afeto.
espero que ele mantenha o dom da fantasia que o ensino a cultivar, espero que ele se sinta reconfortado por saber que foi muito querido, que riu muito, que brincou muito e que foi feliz.
espero que um dia, daqui a muito, muito tempo, quando o meu menino for um homem, seja um homem melhor porque teve uma avó que o amou.
e espero que nunca perca aquelas covinhas no rosto quando sorri.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
oscar niemeyer
era para escrever qualquer coisa, mas depois vi que já toda a gente tinha escrito qualquer coisa e desisti.
nunca acho que as minhas palavras vão acrescentar valor.
mas hoje vi isto no facebook e quis partilhar.
"Desejo viver num mundo melhor, mais fraternal,
em que as pessoas não queiram descobrir os defeitos das outras
mas, sim, que tenham prazer de ajudar o outro"
(Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares - arquiteto - 1907-2012)
nunca acho que as minhas palavras vão acrescentar valor.
mas hoje vi isto no facebook e quis partilhar.
"Desejo viver num mundo melhor, mais fraternal,
em que as pessoas não queiram descobrir os defeitos das outras
mas, sim, que tenham prazer de ajudar o outro"
(Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares - arquiteto - 1907-2012)
quando eu era pequenina
como é que fico doente sem sair de casa a não ser para ir buscar o almoço ao fundo da rua, é que não percebo.
fui bem agasalhada, guarda-chuva, galochas e demorei 5 minutos.
doi-me a garganta e sinto-me pequenina.
não sei porquê, há qualquer coisa de familiar nisto de ser quase natal e de eu estar adoentada e enfiada num pijama quentinho.
espero a qualquer momento ver a minha tia entrar com um lanchinho.
quem me dera ser pequenina.
fui bem agasalhada, guarda-chuva, galochas e demorei 5 minutos.
doi-me a garganta e sinto-me pequenina.
não sei porquê, há qualquer coisa de familiar nisto de ser quase natal e de eu estar adoentada e enfiada num pijama quentinho.
espero a qualquer momento ver a minha tia entrar com um lanchinho.
quem me dera ser pequenina.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
tomar balanço
não era de fazer balanços, mas agora secalhar sou.
em 2012 ganhei um prémio de reconhecimento e um de criatividade na empresa onde trabalhava.
liderei projetos, estive à beira duma promoção, tive aumento e fui despedida.
e tudo isto num só trimestre.
fiz uma viagem.
mudei de penteado.
emagreci 10 quilos.
descobri que afinal nem todos os amigos eram amigos, o que não faz deles más pessoas, só pessoas.
comecei a praticar exercício.
e, no meio de tudo isto, o que me ocorre dizer sobre 2012 é que foi o ano em que deixei de parte o gloss e descobri que afinal agora gosto de batons.
sim, o batom foi o que marcou a minha vida em 2012.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
a agenda
enquanto escolhia a minha agenda para 2013, olhei para a de 2012, tão mais vazia de anotações a partir de abril.
ao princípio escrevia muito, escrevia tudo.
nove horas - wake up
nove e trinta - pequeno almoço na pastelaria e anotava quanto custava.
das dez ao meio dia - consultar sites de emprego.
e tomava nota de todo o dinheiro que gastava, de todos os telefonemas, entrevistas, reuniões e intenções.
dos planos.
comecei a deixar de o fazer em meados de agosto.
a pouco e pouco a agenda tornou-se um caderno de folhas desprovidas de acontecimentos ou pensamentos.
agir é preciso.
preciso duma agenda nova.
ao princípio escrevia muito, escrevia tudo.
nove horas - wake up
nove e trinta - pequeno almoço na pastelaria e anotava quanto custava.
das dez ao meio dia - consultar sites de emprego.
e tomava nota de todo o dinheiro que gastava, de todos os telefonemas, entrevistas, reuniões e intenções.
dos planos.
comecei a deixar de o fazer em meados de agosto.
a pouco e pouco a agenda tornou-se um caderno de folhas desprovidas de acontecimentos ou pensamentos.
agir é preciso.
preciso duma agenda nova.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
recado
nunca pensem que me conhecem.
eu sou complicada nesta aparente simplicidade.
nada linear ou previsível.
tenho neuras e amoques.
um lado lunar.
não me tomem por garantida.
sou muito pior do que imaginam.
apenas deixem-me estar.
eu sou complicada nesta aparente simplicidade.
nada linear ou previsível.
tenho neuras e amoques.
um lado lunar.
não me tomem por garantida.
sou muito pior do que imaginam.
apenas deixem-me estar.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
a falta que me faz um pano para os óculos
a falta que me faz um pano para os óculos, nunca sei deles, e há uns tão giros e grandes à venda nos correios.
todos os anos lhe faço listas de presentes de natal que gostava de receber.
duas listas.
uma com presentes até cinquenta euros e outra com presentes até cem.
sei que ele nunca me vai comprar nada daquelas listas.
e todos os anos me oferece o meu perfume, porque eu só uso aquele perfume.
ou então oferece-me um gadget para o computador ou para o telemóvel, algo que eu jamais compraria.
ou uma moldura digital (está em casa da minha mãe) ou uma caixa de maquilhagem com centenas de sombras e eu só uso rímel e lápis nos olhos.
eu ofereço-lhe relógios.
sempre relógios.
todos os anos lhe faço listas de presentes de natal que gostava de receber.
duas listas.
uma com presentes até cinquenta euros e outra com presentes até cem.
sei que ele nunca me vai comprar nada daquelas listas.
e todos os anos me oferece o meu perfume, porque eu só uso aquele perfume.
ou então oferece-me um gadget para o computador ou para o telemóvel, algo que eu jamais compraria.
ou uma moldura digital (está em casa da minha mãe) ou uma caixa de maquilhagem com centenas de sombras e eu só uso rímel e lápis nos olhos.
eu ofereço-lhe relógios.
sempre relógios.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
deus está nos pormenores *
a pior coisa que me podem dizer é "não se nota quase nada" ou "quem não sabe não repara".
basta que eu saiba e já não me serve.
sou perfecionista.
não me importo de recomeçar quando já vou a mais de meio.
mas não consigo viver a saber que aquele infímo pormenor em que supostamente ninguém repara está lá.
porque eu sei.
isto a propósito de outro dia me terem dito que o meu chefe lamentou a minha saída dizendo "havia coisas em que ela era mesmo boa".
you damn right I'm damn good.
não havia coisas em que eu era mesmo boa, chefinho.
eu era boa em tudo.
e nalgumas coisas era excelente.
o problema agora é colocar isso por escrito numa folha de papel chamada currículo.
eu já fiz tanta coisa e parece que não fiz nada.
o problema agora é ter de omitir os pormenores.
(a frase é de Frank Lloyd Wright *)
basta que eu saiba e já não me serve.
sou perfecionista.
não me importo de recomeçar quando já vou a mais de meio.
mas não consigo viver a saber que aquele infímo pormenor em que supostamente ninguém repara está lá.
porque eu sei.
isto a propósito de outro dia me terem dito que o meu chefe lamentou a minha saída dizendo "havia coisas em que ela era mesmo boa".
you damn right I'm damn good.
não havia coisas em que eu era mesmo boa, chefinho.
eu era boa em tudo.
e nalgumas coisas era excelente.
o problema agora é colocar isso por escrito numa folha de papel chamada currículo.
eu já fiz tanta coisa e parece que não fiz nada.
o problema agora é ter de omitir os pormenores.
(a frase é de Frank Lloyd Wright *)
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
o sono
tenho de parar de acordar às duas da tarde.
só ter três horas de luz natural é estranho.
é como estar a viver na finlândia mas sem a parte boa, que é o nível de desenvolvimento, as políticas sociais e a baixíssima taxa de desemprego do país.
não que eu seja uma pessoa noturna, que não sou, apesar de ter a teoria de que nunca se conhece completamente um homem até o levarmos para a noite.
mas isso são outras histórias doutros tempos, tão longínquos como a finlândia.
acontece-me isto amíude, trocar as horas.
nunca percebi este paradoxo de gostar tanto de dormir mas de detestar ir para a cama.
parece-me sempre uma perda de tempo e nunca tenho muito sono.
até que tenho um sono impossível de aguentar.
mas gostava que o processo de adormecer fosse mais simples, uma espécie de apagão.
quando o meu eu precisasse de dormir, desligava-se, onde quer que estivesse.
e depois tornava a ligar-se.
sem este processo complicado que é precisar de se deitar numa cama.
só ter três horas de luz natural é estranho.
é como estar a viver na finlândia mas sem a parte boa, que é o nível de desenvolvimento, as políticas sociais e a baixíssima taxa de desemprego do país.
não que eu seja uma pessoa noturna, que não sou, apesar de ter a teoria de que nunca se conhece completamente um homem até o levarmos para a noite.
mas isso são outras histórias doutros tempos, tão longínquos como a finlândia.
acontece-me isto amíude, trocar as horas.
nunca percebi este paradoxo de gostar tanto de dormir mas de detestar ir para a cama.
parece-me sempre uma perda de tempo e nunca tenho muito sono.
até que tenho um sono impossível de aguentar.
mas gostava que o processo de adormecer fosse mais simples, uma espécie de apagão.
quando o meu eu precisasse de dormir, desligava-se, onde quer que estivesse.
e depois tornava a ligar-se.
sem este processo complicado que é precisar de se deitar numa cama.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
a dra. maria josé
tenho a sorte de ter um boa médica de família.
sempre gostei dela, apesar de a temer por ser tão ríspida.
nunca foi uma mulher doce, sempre usou as palavras como espadas e eu sempre fui uma doente em sentido.
mas sempre foi rigorosa e atenta no seu exame.
e isso tranquilizava-me.
há cinco anos que não nos víamos.
eu trabalhava numa empresa com um bom seguro de saúde e caía mal faltar uma manhã inteira para ir ao médico no centro de saúde.
deve ser esse o maior defeito da minha médica, chegar sempre muito atrasada.
mas fazia cinco anos que não nos víamos e a vida passou para ambas.
a mim trouxe-me o desemprego recente.
a ela trouxe-lhe um cancro.
e outra doçura ao olhar.
senti-me num reencontro com uma velha amiga.
mas o que me confirmou mesmo que as coisas mudaram foram as palavras "você está com um bocadinho de peso a mais".
ela dizia-me sempre "você está gorda! muito gorda!".
sempre gostei dela, apesar de a temer por ser tão ríspida.
nunca foi uma mulher doce, sempre usou as palavras como espadas e eu sempre fui uma doente em sentido.
mas sempre foi rigorosa e atenta no seu exame.
e isso tranquilizava-me.
há cinco anos que não nos víamos.
eu trabalhava numa empresa com um bom seguro de saúde e caía mal faltar uma manhã inteira para ir ao médico no centro de saúde.
deve ser esse o maior defeito da minha médica, chegar sempre muito atrasada.
mas fazia cinco anos que não nos víamos e a vida passou para ambas.
a mim trouxe-me o desemprego recente.
a ela trouxe-lhe um cancro.
e outra doçura ao olhar.
senti-me num reencontro com uma velha amiga.
mas o que me confirmou mesmo que as coisas mudaram foram as palavras "você está com um bocadinho de peso a mais".
ela dizia-me sempre "você está gorda! muito gorda!".
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
outra vez a gata
e escrever com um focinho de gato entre o ecrã e o teclado?
muito giro.
e empurrá-la?
era bom se resultasse.
mete a cabeça entre o ecrã e o teclado e parece feita de chumbo quando a tento desviar.
não mexe.
mas morde.
muito giro.
e empurrá-la?
era bom se resultasse.
mete a cabeça entre o ecrã e o teclado e parece feita de chumbo quando a tento desviar.
não mexe.
mas morde.
lulas recheadas com puré de batata e leite com chocolate
todos temos os nossos dramas pessoais e o meu são as meias.
já tenho frio nos pés e nunca encontro um par de meias que seja um par.
só tenho meias desirmanadas.
não sei como faço isto, não sei que lhes acontece, mas para onde raio irão as meias?
isso e ter uma gata a ocupar o meu lugar no sofá de cada vez que me levanto.
por estes dias esforço-me para fingir normalidade.
mas nada em mim é normal.
levo o dia alapada entre o sofá e a cama a pensar que nunca mais vou trabalhar.
voltei a ter fome mas como aos bocadinhos.
hoje almocei duas vezes, às 2h e às 4h e agora estou a beber leite com chocolate.
se tivesse meo aposto que levava o dia a ver a casa dos segredos.
how sad is that?
já tenho frio nos pés e nunca encontro um par de meias que seja um par.
só tenho meias desirmanadas.
não sei como faço isto, não sei que lhes acontece, mas para onde raio irão as meias?
isso e ter uma gata a ocupar o meu lugar no sofá de cada vez que me levanto.
por estes dias esforço-me para fingir normalidade.
mas nada em mim é normal.
levo o dia alapada entre o sofá e a cama a pensar que nunca mais vou trabalhar.
voltei a ter fome mas como aos bocadinhos.
hoje almocei duas vezes, às 2h e às 4h e agora estou a beber leite com chocolate.
se tivesse meo aposto que levava o dia a ver a casa dos segredos.
how sad is that?
domingo, 4 de novembro de 2012
nós e os outros
nós não somos só nós.
somos o somatório duma data de gente que existiu antes de nós.
quando os meus avós morreram eu quis saber quem tinham sido os meus bisavós.
e a minha mãe não sabia quase nada sobre eles, os seus avós.
a vida era diferente e mais dura, menos dada aos afetos e aos registos.
ainda assim, procurei.
tenho certidões de nascimento e certidões de óbito dos meus bisavós.
mas são papéis que não contam histórias e, além dos nomes, não sei nada deles.
gostava muito de ter uma fotografia, uma carta, um vestido, uma madeixa de cabelo.
mas não sei quem sou para além dos meus avós.
sei de quem me vem o cabelo rebelde e os olhos castanhos caídos.
acho eu.
gostava de saber como eram os meus bisavós, se já tinham olhos verdes como a minha avó, se eram altos como o meu avô, se eram bondosos, se eram felizes.
a avó Céu só se chamava Maria do Céu até se casar.
e uma pessoa não precisa de mais que nome próprio para ser recordada, é verdade.
não procuro um brasão.
a minha mãe só foi registada dez dias depois de nascer e eu nunca sei se o aniversário que festejamos é mesmo a data em que ela nasceu.
eu não sou só eu.
eu sou também a minha mãe e já há coisas que não sei sobre ela.
somos o somatório duma data de gente que existiu antes de nós.
quando os meus avós morreram eu quis saber quem tinham sido os meus bisavós.
e a minha mãe não sabia quase nada sobre eles, os seus avós.
a vida era diferente e mais dura, menos dada aos afetos e aos registos.
ainda assim, procurei.
tenho certidões de nascimento e certidões de óbito dos meus bisavós.
mas são papéis que não contam histórias e, além dos nomes, não sei nada deles.
gostava muito de ter uma fotografia, uma carta, um vestido, uma madeixa de cabelo.
mas não sei quem sou para além dos meus avós.
sei de quem me vem o cabelo rebelde e os olhos castanhos caídos.
acho eu.
gostava de saber como eram os meus bisavós, se já tinham olhos verdes como a minha avó, se eram altos como o meu avô, se eram bondosos, se eram felizes.
a avó Céu só se chamava Maria do Céu até se casar.
e uma pessoa não precisa de mais que nome próprio para ser recordada, é verdade.
não procuro um brasão.
a minha mãe só foi registada dez dias depois de nascer e eu nunca sei se o aniversário que festejamos é mesmo a data em que ela nasceu.
eu não sou só eu.
eu sou também a minha mãe e já há coisas que não sei sobre ela.
sábado, 3 de novembro de 2012
ai o natal
já estava a estranhar não me chegar a euforia do natal, deve ser por passar mais tempo em casa e o comércio de bairro ainda ter as montras cheias de bruxas.
sempre gostei tanto do natal, de enfeitar tudo, há um ano por esta hora estariam a perguntar-me quando enfeitava o escritório.
este ano tenho uma data de bonecos de natal excedentes, sem destino, mas hei de lhes arranjar lugar.
a minha melhor recordação de natal é, mais uma vez, em Elvas.
é uma coisa difusa, uma espécie de flashback, eu nos meu quinze anos sózinha no meio duma rua cheia de luzes e de gente, a minha prima a namoriscar à porta do cinema, um frio de rachar e uma canção da Dina a tocar... pérola rosa verde limão marfim...
antes, muito antes, o natal começava quando chegava a Elvas e a avó Céu estava ao cimo da rua, à porta de casa, de braços abertos.
a rua mais íngreme de Elvas tinha como prémio pela dura subida o abraço mais terno e os olhos mais brilhantes do mundo.
a avó Céu tinha sempre colo e tinha sempre contos e tinha sempre um chocolate na árvore para cada neto.
a minha avó Céu fazia-me sempre sentir especial e com ela todas as coisas eram uma aventura.
desses natais não me lembro dos presentes.
lembro-me de acordar cedo para ir buscar ovos ao galinheiro, de tomar banho em alguidares de cobre, dos beijos molhados e apertados da avó, do avô a enrolar cigarros e a sorrir, das brasas na camilha onde nos sentávamos a bebericar chá e a comer biscoitos quando ficava escuro lá fora.
e depois vinham os primos e os tios e os primos da mãe e mais gente, muita gente.
mas de quem me lembro mais é da avó Céu.
sempre gostei tanto do natal, de enfeitar tudo, há um ano por esta hora estariam a perguntar-me quando enfeitava o escritório.
este ano tenho uma data de bonecos de natal excedentes, sem destino, mas hei de lhes arranjar lugar.
a minha melhor recordação de natal é, mais uma vez, em Elvas.
é uma coisa difusa, uma espécie de flashback, eu nos meu quinze anos sózinha no meio duma rua cheia de luzes e de gente, a minha prima a namoriscar à porta do cinema, um frio de rachar e uma canção da Dina a tocar... pérola rosa verde limão marfim...
antes, muito antes, o natal começava quando chegava a Elvas e a avó Céu estava ao cimo da rua, à porta de casa, de braços abertos.
a rua mais íngreme de Elvas tinha como prémio pela dura subida o abraço mais terno e os olhos mais brilhantes do mundo.
a avó Céu tinha sempre colo e tinha sempre contos e tinha sempre um chocolate na árvore para cada neto.
a minha avó Céu fazia-me sempre sentir especial e com ela todas as coisas eram uma aventura.
desses natais não me lembro dos presentes.
lembro-me de acordar cedo para ir buscar ovos ao galinheiro, de tomar banho em alguidares de cobre, dos beijos molhados e apertados da avó, do avô a enrolar cigarros e a sorrir, das brasas na camilha onde nos sentávamos a bebericar chá e a comer biscoitos quando ficava escuro lá fora.
e depois vinham os primos e os tios e os primos da mãe e mais gente, muita gente.
mas de quem me lembro mais é da avó Céu.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
inside me
e há os dias sem palavras, mas cheios de imagens.
e de sons.
os dias em que ouço a mesma música over and over and over again.
e aquela música dói, toca em todos os sítios cá dentro que estão resguardados.
e liberta.
liberta o medo, liberta a dor.
e tudo em mim é sentimento.
e há os dias em que não consigo escrever nem consigo chorar nem consigo sonhar.
e há os dias desta tristeza cinzenta que não sei de onde me vem, mas que traz saudades.
saudades do futuro e saudades de quem fui.
quando foi a última vez que fiz uma coisa pela primeira vez?
e de sons.
os dias em que ouço a mesma música over and over and over again.
e aquela música dói, toca em todos os sítios cá dentro que estão resguardados.
e liberta.
liberta o medo, liberta a dor.
e tudo em mim é sentimento.
e há os dias em que não consigo escrever nem consigo chorar nem consigo sonhar.
e há os dias desta tristeza cinzenta que não sei de onde me vem, mas que traz saudades.
saudades do futuro e saudades de quem fui.
quando foi a última vez que fiz uma coisa pela primeira vez?
sábado, 27 de outubro de 2012
há males que vêm por bem
há 3 anos atrás estava prestes a dar-se a pior semana da minha vida quando ele nasceu.
só nos conhecemos passados 3 meses e foi mais curiosidade do que amor à primeira vista.
antes de o conhecer só pensei nos problemas que daí adviriam.
fui burra.
esqueci-me do quanto a vida gosta de pregar partidas e de nos deslumbrar com o inesperado.
ele entrou nas nossas vidas como um dia de sol e tudo ganhou nova luz.
ele é um menino luz.
absolutamente igual a todos os meninos de 3 anos, apesar de eu achar que ele é o mais inteligente e doce de todos os meninos de 3 anos que existem no mundo.
só nos conhecemos passados 3 meses e foi mais curiosidade do que amor à primeira vista.
antes de o conhecer só pensei nos problemas que daí adviriam.
fui burra.
esqueci-me do quanto a vida gosta de pregar partidas e de nos deslumbrar com o inesperado.
ele entrou nas nossas vidas como um dia de sol e tudo ganhou nova luz.
ele é um menino luz.
absolutamente igual a todos os meninos de 3 anos, apesar de eu achar que ele é o mais inteligente e doce de todos os meninos de 3 anos que existem no mundo.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
tempo II
devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo,
o amor transforma-se em tempo,
a dor transforma-se em tempo.
os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis,
mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.
(José Luís Peixoto in "A Casa, A Escuridão")
o ódio transforma-se em tempo,
o amor transforma-se em tempo,
a dor transforma-se em tempo.
os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis,
mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.
(José Luís Peixoto in "A Casa, A Escuridão")
tempo I
tempo
s. m.
1. Série ininterrupta e eterna de instantes.
2. Medida arbitrária da duração das coisas.
3. Época determinada.
4. Prazo, demora.
5. Estação, quadra própria.
6. Época (relativamente a certas circunstâncias da vida, ao estado das coisas, aos costumes, às opiniões).
7. Estado da atmosfera.
8. [Por extensão] Temporal, tormenta.
9. Duração do serviço militar, judicial, docente, etc.
10. A época determinada em que se realizou um facto ou existiu uma personagem.
11. Vagar, ocasião, oportunidade.
12. [Gramática ] Conjunto de inflexões do verbo que designam com relação à actualidade , a época da acção ou do estado.
13. [Música ] Cada uma das divisões do compasso.
14. [Linguagem poética] Diferentes divisões do verso segundo as sílabas e os acentos tónicos .
15. [Esgrima ] Instante preciso do movimento em que se deve efectuar uma das suas partes.
16. [Geologia ] Época correspondente à formação de uma determinada camada da crusta terrestre.
17. [Mecânica ] Quantidade do movimento de um corpo ou sistema de corpos medida pelo movimento de outro corpo.
(dicionário priberam da língua portuguesa)
a vida às vezes
ficar desempregada foi como sofrer uma amputação.
ainda sinto a perna, preciso da perna, mas já não tenho a perna.
ficar desempregada foi terem-me arrancado uma parte importante de mim.
eu vivia o meu trabalho e era boa no que fazia.
mas um dia acordei e faltava-me uma perna.
estranhamente, passado o choque inicial, senti-me feliz.
pela primeira vez em muito tempo passei a ter tempo.
deixei de acordar a pensar que não aguento mais, que um dia expludo ou faço asneira da grossa.
foi como se a vida me tivesse dado um balão de oxigénio.
pela primeira vez em muito tempo vivo em paz, com tranquilidade, com tempo.
tem sido um tempo de descoberta.
tem sido um tempo feliz.
e dou comigo a pensar que esta podia ser uma oportunidade de vida se eu soubesse fazer alguma coisa.
mas a verdade é que não sei fazer nada além de escrever e de fazer colagens.
e o tempo esgota-se.
ainda sinto a perna, preciso da perna, mas já não tenho a perna.
ficar desempregada foi terem-me arrancado uma parte importante de mim.
eu vivia o meu trabalho e era boa no que fazia.
mas um dia acordei e faltava-me uma perna.
estranhamente, passado o choque inicial, senti-me feliz.
pela primeira vez em muito tempo passei a ter tempo.
deixei de acordar a pensar que não aguento mais, que um dia expludo ou faço asneira da grossa.
foi como se a vida me tivesse dado um balão de oxigénio.
pela primeira vez em muito tempo vivo em paz, com tranquilidade, com tempo.
tem sido um tempo de descoberta.
tem sido um tempo feliz.
e dou comigo a pensar que esta podia ser uma oportunidade de vida se eu soubesse fazer alguma coisa.
mas a verdade é que não sei fazer nada além de escrever e de fazer colagens.
e o tempo esgota-se.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
coisas que me aborrecem
o comando da televisão e a minha vizinha.
o comando da televisão não é rápido, demora muito tempo a mudar de canal e tem o péssimo hábito de desaparecer.
a minha vizinha é cusca e estava a falar mal de mim ao homem do gás.
o homem do gás tem a cara cheia de sardas e deixou-me um bilhete parvo na caixa do correio no outro dia.
a minha vizinha é velha e agora usa canadianas.
sei lá, a velha podia tropeçar e cair escada abaixo em cima do homem do gás.
fiquei magoada que falasse mal de mim.
eu sou boa pessoa.
o comando da televisão não é rápido, demora muito tempo a mudar de canal e tem o péssimo hábito de desaparecer.
a minha vizinha é cusca e estava a falar mal de mim ao homem do gás.
o homem do gás tem a cara cheia de sardas e deixou-me um bilhete parvo na caixa do correio no outro dia.
a minha vizinha é velha e agora usa canadianas.
sei lá, a velha podia tropeçar e cair escada abaixo em cima do homem do gás.
fiquei magoada que falasse mal de mim.
eu sou boa pessoa.
terça-feira, 24 de julho de 2012
desculpem lá
mas os homens são exasperantes com os seus egozinhos mal resolvidos e os gadgets absolutamente inúteis e insignificantes aos olhos duma mulher.
andam caídos e de virilidade ameaçada por não terem o gadget xpto.
e quando o têm ficam ofendidos com uma crítica ao desempenho do dito aparelho.
como se este se tivesse tornado extensão do seu orgão genital.
haja paciência.
andam caídos e de virilidade ameaçada por não terem o gadget xpto.
e quando o têm ficam ofendidos com uma crítica ao desempenho do dito aparelho.
como se este se tivesse tornado extensão do seu orgão genital.
haja paciência.
domingo, 15 de julho de 2012
cem anos de solidão
não sei por onde começar a desenlear o novelo de emoções que me provocou a notícia do desaparecimento da memória de Grabriel Garcia Marquez.
os cérebros também deviam poder ser património da humanidade.
os cérebros também deviam poder ser protegidos e preservados.
o pior que pode acontecer a um escritor é esquecer-se de quem é.
daquilo que traz dentro de si.
do tanto que tem para dar.
é uma perda imensa, um vazio.
uma solidão para nós, que amámos a tua escrita.
hoje sou uma de tus tristes putas.
os cérebros também deviam poder ser património da humanidade.
os cérebros também deviam poder ser protegidos e preservados.
o pior que pode acontecer a um escritor é esquecer-se de quem é.
daquilo que traz dentro de si.
do tanto que tem para dar.
é uma perda imensa, um vazio.
uma solidão para nós, que amámos a tua escrita.
hoje sou uma de tus tristes putas.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
maquilhagem
voltei das férias na praia e a primeira coisa que fiz foi maquilhar-me.
não sei porquê.
comecei a desfazer as malas e quando fui arrumar as coisas na casa de banho, peguei na base e maquilhei-me.
agora a minha base fica-me mal, dá-me um ar pastoso, de pele seca.
confesso que gosto mais da minha cara branca.
apesar de gostar mais do corpo bronzeado.
parece mais magro.
domingo, 8 de julho de 2012
irritação
sentir-lhe os passos na sala ao lado enquanto me arranjo.
para cá, para lá, sempre na mesma cadência.
agora uma pausa e um suspiro.
e recomeça.
para cá, para lá, sempre na mesma cadência.
agora uma pausa e um suspiro.
e recomeça.
sábado, 30 de junho de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
uma paisagem de verão
se tivesse de escolher uma paisagem como pano de fundo da minha vida, seria certamente uma paisagem alentejana.
lembro-me dos fins de tarde sentada no banco de pedra do terraço, ao lado do avô estevão, em silêncio, só a olhar, a ouvir os grilos e as cigarras.
e de ele me dizer "como é que há gente que diz que não há nada que ver no alentejo? este campo todos os dias está diferente".
é verdade avô, como é que não percebem?
lembro-me dos fins de tarde sentada no banco de pedra do terraço, ao lado do avô estevão, em silêncio, só a olhar, a ouvir os grilos e as cigarras.
e de ele me dizer "como é que há gente que diz que não há nada que ver no alentejo? este campo todos os dias está diferente".
é verdade avô, como é que não percebem?
quinta-feira, 28 de junho de 2012
uma sombra no verão
a minha.
não saio da sombra, principalmente na praia.
não gosto de sentir o sol queimar a pele.
e dá-se um fenómeno estranho: durante uma semana e meia fico dar cor que fica uma pessoa normal depois de dois dias de praia.
é nos últimos quatro dias de férias que o bronze me chega.
não saio da sombra, principalmente na praia.
não gosto de sentir o sol queimar a pele.
e dá-se um fenómeno estranho: durante uma semana e meia fico dar cor que fica uma pessoa normal depois de dois dias de praia.
é nos últimos quatro dias de férias que o bronze me chega.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
os meus óculos de sol
são imprescindíveis o ano inteiro e tenho-lhes reservada uma gaveta duma cómoda.
essa gaveta fica no hall de entrada e escolher os óculos é a última coisa que faço antes de sair de casa e guardá-los é a primeira coisa que faço quando regresso.
estão dispostos por cores, com a respetiva caixa atrás.
tenho uma vasta coleção.
alguns que já não uso, porque passaram de moda ou porque mudei de penteado e já não me ficam bem, mas que são recordações de viagens.
o meu mais recente objeto de desejo são uns cat eyes, mas ainda não encontrei nenhuns de que goste.
(também não procurei fora do facebook)
essa gaveta fica no hall de entrada e escolher os óculos é a última coisa que faço antes de sair de casa e guardá-los é a primeira coisa que faço quando regresso.
estão dispostos por cores, com a respetiva caixa atrás.
tenho uma vasta coleção.
alguns que já não uso, porque passaram de moda ou porque mudei de penteado e já não me ficam bem, mas que são recordações de viagens.
o meu mais recente objeto de desejo são uns cat eyes, mas ainda não encontrei nenhuns de que goste.
(também não procurei fora do facebook)
terça-feira, 26 de junho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
sábado, 23 de junho de 2012
um som de verão
o som das tuas gargalhadas.
adoro ver-te feliz.
e o som das canções que cantamos no carro, aos berros, desafinados.
o verão tem sempre o som da tua voz.
adoro ver-te feliz.
e o som das canções que cantamos no carro, aos berros, desafinados.
o verão tem sempre o som da tua voz.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
um cheiro de verão
escale à portofino, dior.
cheira a limão.
descobri-o num aeroporto e também me recorda sempre essa viagem.
há perfumes que nunca mais usei mas que gosto de cheirar nos aeroportos.
sinto o aroma e lembro-me de quem eu era, do penteado e das roupas que usava na altura, das músicas, das pessoas com quem me dava...
são como pequenos frasquinhos de memórias espalhados pelo mundo.
estranhamente só me dá para isto nos aeroportos e sei cada aroma de cor.
cheira a limão.
descobri-o num aeroporto e também me recorda sempre essa viagem.
há perfumes que nunca mais usei mas que gosto de cheirar nos aeroportos.
sinto o aroma e lembro-me de quem eu era, do penteado e das roupas que usava na altura, das músicas, das pessoas com quem me dava...
são como pequenos frasquinhos de memórias espalhados pelo mundo.
estranhamente só me dá para isto nos aeroportos e sei cada aroma de cor.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
uma coisa que vi neste dia de verão
porque, apesar de todos os pesares, ainda é assim que vejo o mundo (quase) todos os dias, verão ou não.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
as minhas leituras de verão
resumem-se sobretudo a revistas e jornais.
eu faço uma lista das revistas e dos dias em que saiem e prendo na porta do frigorífico.
quando acordo ele está a chegar da corrida matinal, com pão fresco e a revista do dia.
teamwork!
eu faço uma lista das revistas e dos dias em que saiem e prendo na porta do frigorífico.
quando acordo ele está a chegar da corrida matinal, com pão fresco e a revista do dia.
teamwork!
terça-feira, 19 de junho de 2012
um dia no campo no verão
campo só de passagem, tem bichos e é muito parado.
sou moça da cidade.
o campo é bonito nas fotos e parece boa ideia, mas tem de ser coisa para se ir a muitos sítios, ver e fazer coisas.
exceto desportos radicais, aí sobressai a minha costela alentejana.
sou moça da cidade.
o campo é bonito nas fotos e parece boa ideia, mas tem de ser coisa para se ir a muitos sítios, ver e fazer coisas.
exceto desportos radicais, aí sobressai a minha costela alentejana.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
os amores de verão
o meu primeiro amor, o meu maior amor de verão aconteceu em elvas, durante a feira de s. mateus. *
eu e a minha prima podíamos circular sozinhas pelo recinto da feira, desde que, de hora a hora, passassemos pelo sítio onde estavam os pais, os avós, os tios, a famelga toda sentada nos bancos de pedra do largo da igreja da piedade, já a postos e em lugar de destaque para assistir à apoteose da noite, o espetáculo de fogo preso.
tínhamos uma hora inteirinha de liberdade para estar nos carrinhos de choque a namoriscar e, finda essa hora, lá rumávamos ao largo da igreja, a diana e a patrícia, e por momentos largavam-se as mãos suadas de adolescentes, enquanto eles davam a volta pelo outro lado e nós acenávamos cá debaixo aos pais, trocávamos duas ou três palavras aos gritos e voltávamos a reencontrar os nossos amores mais à frente.
e foi num desses reencontros, no meio do parque de estacionamento, que ele me deu um beijo.
o nosso primeiro beijo.
o beijo desajeitado, com sabor a pastilha elástica e saliva e que nunca mais se esquece.
eu e a minha prima podíamos circular sozinhas pelo recinto da feira, desde que, de hora a hora, passassemos pelo sítio onde estavam os pais, os avós, os tios, a famelga toda sentada nos bancos de pedra do largo da igreja da piedade, já a postos e em lugar de destaque para assistir à apoteose da noite, o espetáculo de fogo preso.
tínhamos uma hora inteirinha de liberdade para estar nos carrinhos de choque a namoriscar e, finda essa hora, lá rumávamos ao largo da igreja, a diana e a patrícia, e por momentos largavam-se as mãos suadas de adolescentes, enquanto eles davam a volta pelo outro lado e nós acenávamos cá debaixo aos pais, trocávamos duas ou três palavras aos gritos e voltávamos a reencontrar os nossos amores mais à frente.
e foi num desses reencontros, no meio do parque de estacionamento, que ele me deu um beijo.
o nosso primeiro beijo.
o beijo desajeitado, com sabor a pastilha elástica e saliva e que nunca mais se esquece.
domingo, 17 de junho de 2012
as melhores férias de verão
são as duas semanas que passamos no algarve.
pela tranquilidade dos dias, pela rotina (finalmente) a dois, porque sabe bem estar em casa.
gosto de ir todos os anos para o mesmo lugar, de rever as mesmas praias e as mesmas pessoas.
e depois as férias de fim de verão, à descoberta dum novo destino.
pela tranquilidade dos dias, pela rotina (finalmente) a dois, porque sabe bem estar em casa.
gosto de ir todos os anos para o mesmo lugar, de rever as mesmas praias e as mesmas pessoas.
e depois as férias de fim de verão, à descoberta dum novo destino.
sábado, 16 de junho de 2012
o meu bikini
nunca usei fato de banho, acho que só favorece quem já é naturalmente elegante e deve fazer calor.
dito isto, quero manifestar o meu profundo desagrado para com os padrões e modelos de bikinis disponíveis no mercado, para gordinhas e/ou mamalhudas.
não sei se a indústria têxtil lê notícias ou está a par das estatísticas, mas cada vez somos mais.
dito isto, quero manifestar o meu profundo desagrado para com os padrões e modelos de bikinis disponíveis no mercado, para gordinhas e/ou mamalhudas.
não sei se a indústria têxtil lê notícias ou está a par das estatísticas, mas cada vez somos mais.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
a minha toalha de praia
a minha toalha de praia está sempre cheia de areia.
não sei como as outras pessoas conseguem, mas para mim é missão impossível não ter areia na toalha de praia.
e depois transporto essa areia para o carro, para casa...
não sei como as outras pessoas conseguem, mas para mim é missão impossível não ter areia na toalha de praia.
e depois transporto essa areia para o carro, para casa...
quinta-feira, 14 de junho de 2012
a praia do meu verão
é uma piscina.
não vou fazer publicidade, mas é uma piscina de água salgada aquecida, sobre uma marina, com camas exóticas e onde à noite há festas.
gosto muito do cantinho de algarve para onde costumo ir.
tenho muitas praias perto: salgados, galé, coelha, s. lourenço, s. rafael, castelo, evaristo...
gosto de praias pequeninas e recatadas.
ele gosta de areais largos.
não vou fazer publicidade, mas é uma piscina de água salgada aquecida, sobre uma marina, com camas exóticas e onde à noite há festas.
gosto muito do cantinho de algarve para onde costumo ir.
tenho muitas praias perto: salgados, galé, coelha, s. lourenço, s. rafael, castelo, evaristo...
gosto de praias pequeninas e recatadas.
ele gosta de areais largos.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
o que mais gosto de comer no verão
saladas e peixe grelhado.
adoro as minhas férias no algarve porque há muitas variedades de peixe e o sabem grelhar bem.
pena a maioria dos restaurantes não serem muito criativos nas saladas.
(já repararam que só há peixe bem grelhado em portugal?)
e para intervalar vai de chicken piri-piri.
adoro as minhas férias no algarve porque há muitas variedades de peixe e o sabem grelhar bem.
pena a maioria dos restaurantes não serem muito criativos nas saladas.
(já repararam que só há peixe bem grelhado em portugal?)
e para intervalar vai de chicken piri-piri.
terça-feira, 12 de junho de 2012
as noites de verão
há muito tempo que não há daquelas noites quentes em que só apetece estar na rua.
agora as noites de verão são frescas de andar com casaco atrás.
ainda assim, parece que são maiores.
agora as noites de verão são frescas de andar com casaco atrás.
ainda assim, parece que são maiores.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
as tardes de verão
as tardes de verão são longas, o tempo parece esticar.
o fim da tarde é a altura em que mais gosto de estar na praia.
com menos calor e menos gente.
mas ele não deixa.
se estamos no algarve porque temos de ir jantar sem confusão.
se estamos por lisboa é por causa do trânsito.
ele é um chato.
o fim da tarde é a altura em que mais gosto de estar na praia.
com menos calor e menos gente.
mas ele não deixa.
se estamos no algarve porque temos de ir jantar sem confusão.
se estamos por lisboa é por causa do trânsito.
ele é um chato.
domingo, 10 de junho de 2012
as manhãs de verão
nas manhãs de verão acordo mais cedo por causa da claridade.
deve ser o biorritmo.
gosto de aproveitar as manhãs quando estou de férias.
mas adoro dormir até tarde quando estou a trabalhar.
deve ser o biorritmo.
gosto de aproveitar as manhãs quando estou de férias.
mas adoro dormir até tarde quando estou a trabalhar.
sábado, 9 de junho de 2012
o meu cabelo de verão
é igual ao do resto do ano, vou sempre à cabeleireira (apesar da escova progressiva).
exceto durante umas 3 semanas por ano (férias).
aí é como deus quiser que eu não tenho mão nele (apesar da escova progressiva).
há quem vá à missa, eu vou à cabeleireira.
é a minha devoção.
exceto durante umas 3 semanas por ano (férias).
aí é como deus quiser que eu não tenho mão nele (apesar da escova progressiva).
há quem vá à missa, eu vou à cabeleireira.
é a minha devoção.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
festas, arraiais e festivais
festa a sério, que animava o fim dos meus verões, era a procissão dos pendões, que transporta a imagem de jesus da sé para a igreja da piedade, onde o santo fica uma semana, durante a feira de s.mateus, até regressar à sé de elvas.
a igreja da piedade tem uma capela de de ex votos, com paredes e tetos forrados de promessas.
tranças de cabelo, pinturas a óleo que remontam a 1924, pés, mãos, pernas de cera, colchas bordadas a fio de ouro, fotos de jovens fardados que partiam para o ultramar e fotos de noivos que assim pediam a benção do santo para o seu compromisso.
e é no teto dessa capela que sempre procuro avidamente a foto do casamento dos meus pais.
e lá fico eu a olhar, pescoço esticado e coração tolhido, a moldura de prata cheia de verdete e os meus pais tão jovens, mais jovens que eu, com tantos sonhos por cumprir.
{a foto}
a igreja da piedade tem uma capela de de ex votos, com paredes e tetos forrados de promessas.
tranças de cabelo, pinturas a óleo que remontam a 1924, pés, mãos, pernas de cera, colchas bordadas a fio de ouro, fotos de jovens fardados que partiam para o ultramar e fotos de noivos que assim pediam a benção do santo para o seu compromisso.
e é no teto dessa capela que sempre procuro avidamente a foto do casamento dos meus pais.
e lá fico eu a olhar, pescoço esticado e coração tolhido, a moldura de prata cheia de verdete e os meus pais tão jovens, mais jovens que eu, com tantos sonhos por cumprir.
{a foto}
quinta-feira, 7 de junho de 2012
a minha bebida preferida no verão
não gosto de álcool.
mas no verão dá-se o caso de gostar de sangria, vinho branco e caipirinhas.
especialmente caipirinhas.
mas no verão dá-se o caso de gostar de sangria, vinho branco e caipirinhas.
especialmente caipirinhas.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
o meu calçado de verão
não gosto de chinelos nem de sandálias rasas nem de andar descalça.
não gosto de sentir coisas nos pés.
havaianas só para ir e vir da praia.
gosto de saltos altos.
(deve ser mais uma fobia)
não gosto de sentir coisas nos pés.
havaianas só para ir e vir da praia.
gosto de saltos altos.
(deve ser mais uma fobia)
terça-feira, 5 de junho de 2012
um segredo de verão
desde a adolescência que não me lembro de ter segredos de verão.
nessa altura eu e a minha prima inventávamos nomes falsos para os rapazes que se metiam connosco.
invariavelmente, eu era a patrícia e ela a diana, piroseiras dos anos 80 que achávamos cool.
e houve um verão em que a mentira foi um bocadinho mais longe, em nome da liberdade e do amor.
ela teria uns 16 anos e eu uns 12 e estávamos sózinhas em elvas, sem pais.
fazíamos as refeições em casa da avó céu (mãe das nossas mães) e íamos dormir a casa da avó custódia (mãe do pai dela) (ambas tínhamos os avôs vivos, mas as casas sempre foram das avós).
ora como duas meninas de bem e da cidade, tínhamos de andar guardadas.
todas as tardinhas, depois do jantar, era suposto o tio domingos escoltar-nos até ao local da dormida.
mas nós ainda queríamos dar uma volta, catrapiscar uns moços (a avó céu obrigava-nos a jantar às 7h para não irmos 'de noite') e estávamos fartas do cicerone.
um dia combinamos dizer ao tio domingos e à avó céu que o avô da minha prima (como se chamava o senhor??) nos ía buscar a meio caminho, para o tio não se cansar tanto.
e em casa da avó custódia manteve-se a história de que o tio domingos nos escoltava até à porta de casa.
a partir desse dia passamos a ter meio percurso por nossa conta e risco!
isto é, a patrícia e a diana.
até hoje me admira não termos sido apanhadas que a avó céu sempre foi muito ladina e desconfiada.
nessa altura eu e a minha prima inventávamos nomes falsos para os rapazes que se metiam connosco.
invariavelmente, eu era a patrícia e ela a diana, piroseiras dos anos 80 que achávamos cool.
e houve um verão em que a mentira foi um bocadinho mais longe, em nome da liberdade e do amor.
ela teria uns 16 anos e eu uns 12 e estávamos sózinhas em elvas, sem pais.
fazíamos as refeições em casa da avó céu (mãe das nossas mães) e íamos dormir a casa da avó custódia (mãe do pai dela) (ambas tínhamos os avôs vivos, mas as casas sempre foram das avós).
ora como duas meninas de bem e da cidade, tínhamos de andar guardadas.
todas as tardinhas, depois do jantar, era suposto o tio domingos escoltar-nos até ao local da dormida.
mas nós ainda queríamos dar uma volta, catrapiscar uns moços (a avó céu obrigava-nos a jantar às 7h para não irmos 'de noite') e estávamos fartas do cicerone.
um dia combinamos dizer ao tio domingos e à avó céu que o avô da minha prima (como se chamava o senhor??) nos ía buscar a meio caminho, para o tio não se cansar tanto.
e em casa da avó custódia manteve-se a história de que o tio domingos nos escoltava até à porta de casa.
a partir desse dia passamos a ter meio percurso por nossa conta e risco!
isto é, a patrícia e a diana.
até hoje me admira não termos sido apanhadas que a avó céu sempre foi muito ladina e desconfiada.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
o que não gosto no verão
na verdade gosto de poucas coisas no verão.
não gosto de temperaturas acima dos 28ºC.
não gosto da hipersensibilidade que causa na minha pele.
não gosto que me faça ter enxaquecas.
não gosto que me faça inchar os pés.
não gosto que me faça sentir enjoada em viagens.
não gosto das praias cheias de gente.
não gosto dos mosquitos.
a verdade é que 'engravido' no verão, passo mal com o calor.
não gosto de temperaturas acima dos 28ºC.
não gosto da hipersensibilidade que causa na minha pele.
não gosto que me faça ter enxaquecas.
não gosto que me faça inchar os pés.
não gosto que me faça sentir enjoada em viagens.
não gosto das praias cheias de gente.
não gosto dos mosquitos.
a verdade é que 'engravido' no verão, passo mal com o calor.
domingo, 3 de junho de 2012
o que não pode faltar no meu verão
1) protetor solar.
2) spray de água termal.
3) óculos de sol.
4) brincos.
5) sapatos e sandálias de salto alto.
6) música.
7) vestidos.
8) amigos.
1) e 2) porque sou uma lula com pele do rosto intolerante, que fica um tomate só de ir ali à esquina.
3) porque tenho fotofobia.
4) porque sou uma pirosa e uso brincos até na praia e na piscina, a combinar com o bikini, claro.
5) não abdico dos saltos altos, detesto andar rente ao chão e sentir coisas nos pés.
6) música porque sim, sempre.
7) porque sempre adorei e há mais de um ano que só uso vestidos.
8) porque a vida só assim faz sentido.
2) spray de água termal.
3) óculos de sol.
4) brincos.
5) sapatos e sandálias de salto alto.
6) música.
7) vestidos.
8) amigos.
1) e 2) porque sou uma lula com pele do rosto intolerante, que fica um tomate só de ir ali à esquina.
3) porque tenho fotofobia.
4) porque sou uma pirosa e uso brincos até na praia e na piscina, a combinar com o bikini, claro.
5) não abdico dos saltos altos, detesto andar rente ao chão e sentir coisas nos pés.
6) música porque sim, sempre.
7) porque sempre adorei e há mais de um ano que só uso vestidos.
8) porque a vida só assim faz sentido.
sábado, 2 de junho de 2012
o verão numa cor
só pode ser amarelo.
sempre gostei de amarelo.
a minha canção favorita de sempre chama-se yellow.
yellow é a palavra passe que mais uso para tudo.
planeei ter uma cozinha amarela e competi com a minha prima por uma filha chamada rita que ía ter um quarto decorado a amarelo.
(nenhuma de nós teve a rita)
sempre gostei de amarelo.
a minha canção favorita de sempre chama-se yellow.
yellow é a palavra passe que mais uso para tudo.
planeei ter uma cozinha amarela e competi com a minha prima por uma filha chamada rita que ía ter um quarto decorado a amarelo.
(nenhuma de nós teve a rita)
sexta-feira, 1 de junho de 2012
o verão da minha infância
os verões da minha infância eram longos e quentes.
mal começava o tempo bom, a tia aprumava-me com vestidos de folhos e prendia-me o cabelo, para o meu pai me levar ao parque.
o meu pai trabalhava por turnos, numa fábrica perto de casa, e saía às quatro da tarde.
levava-me ao parque e depois levava-me com ele para as tascas, onde se falava de futebol e havia petiscos e um papagaio que dizia palavrões, e onde aprendi a jogar sueca e dominó.
nos verões da minha infância havia brincadeiras na rua e muitos tios e primos.
nos verões da minha infância eu passava férias com os tios do seixal e com os tios de setúbal e acabava sempre na casa dos avós em elvas.
também ía à praia à figueirinha e a troia e fazia piqueniques no guadiana.
mas o que mais me lembro é de descer a ladeira da casa da avó céu a correr, com socas de madeira nos pés, aquela ladeira tão íngreme, forrada a enormes pedras pretas redondas.
e dos segredos e das cumplicidades trocadas com a minha prima irmã, coisas de meninas que haviam de crescer sempre ligadas pelo coração.
lembro-me que à noitinha saíamos em família para comer um gelado, do calor húmido que fazia com que tudo se colasse à pele e do ar inebriado pelo cheiro do jardim das laranjeiras*.
os verões da minha infância eram incomparavelmente mais felizes do que quaisquer outros verões por vir.
mal começava o tempo bom, a tia aprumava-me com vestidos de folhos e prendia-me o cabelo, para o meu pai me levar ao parque.
o meu pai trabalhava por turnos, numa fábrica perto de casa, e saía às quatro da tarde.
levava-me ao parque e depois levava-me com ele para as tascas, onde se falava de futebol e havia petiscos e um papagaio que dizia palavrões, e onde aprendi a jogar sueca e dominó.
nos verões da minha infância havia brincadeiras na rua e muitos tios e primos.
nos verões da minha infância eu passava férias com os tios do seixal e com os tios de setúbal e acabava sempre na casa dos avós em elvas.
também ía à praia à figueirinha e a troia e fazia piqueniques no guadiana.
mas o que mais me lembro é de descer a ladeira da casa da avó céu a correr, com socas de madeira nos pés, aquela ladeira tão íngreme, forrada a enormes pedras pretas redondas.
e dos segredos e das cumplicidades trocadas com a minha prima irmã, coisas de meninas que haviam de crescer sempre ligadas pelo coração.
lembro-me que à noitinha saíamos em família para comer um gelado, do calor húmido que fazia com que tudo se colasse à pele e do ar inebriado pelo cheiro do jardim das laranjeiras*.
os verões da minha infância eram incomparavelmente mais felizes do que quaisquer outros verões por vir.
terça-feira, 29 de maio de 2012
agorafobia
eu sou bem intencionada.
eu sou aquela que se acende tipo fósforo, num segundo.
e apoio e digo que sim e espalho a notícia.
e faço o que posso deste lado.
mas sofro de agorafobia quando chega a hora do encontro.
eu quero, mas há uma parte de mim que entra em pânico e quanto mais se aproxima a hora, menos capaz me sinto.
eu sou perfeita à distância.
uma amigalhaça.
mas ao vivo sou um cromo tímido.
não é por mal, é por pânico.
eu sou aquela que se acende tipo fósforo, num segundo.
e apoio e digo que sim e espalho a notícia.
e faço o que posso deste lado.
mas sofro de agorafobia quando chega a hora do encontro.
eu quero, mas há uma parte de mim que entra em pânico e quanto mais se aproxima a hora, menos capaz me sinto.
eu sou perfeita à distância.
uma amigalhaça.
mas ao vivo sou um cromo tímido.
não é por mal, é por pânico.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
és tão boa
sim, também não noto a diferença entre um gesto criativo, bem humorado ou charmoso e um berro de "ó grossa " no meio do trânsito.
sim, ó vítimas da testosterona, fico seriamente excitada com tais bocas.
obrigada por partilharem.
mesmo.
sim, ó vítimas da testosterona, fico seriamente excitada com tais bocas.
obrigada por partilharem.
mesmo.
domingo, 27 de maio de 2012
piscologia inversa
sei que a chata estou a ser eu.
sei que não estou a facilitar o diálogo.
e quando percebo que ele está no limiar da tolerância faço um quase beicinho e exclamo:
"tu hoje estás impossível, não te posso dizer nada!".
resulta sempre.
eu continuo com mau feitio, mas ele já não se vai atrever a queixar-se.
é tão fácil...
sei que não estou a facilitar o diálogo.
e quando percebo que ele está no limiar da tolerância faço um quase beicinho e exclamo:
"tu hoje estás impossível, não te posso dizer nada!".
resulta sempre.
eu continuo com mau feitio, mas ele já não se vai atrever a queixar-se.
é tão fácil...
sábado, 26 de maio de 2012
eu
eu sou uma gaja chata e com pouca paciência para os outros.
por isso, larguem-me da mão.
deixem-me só, quieta no meu canto, pois o que mais prezo na vida é esta minha solidão.
não gosto de muitas coisas nem de muitas pessoas.
gosto de mim.
acho-me superior em inteligência.
basta-me reconhecê-lo para provar que tenho a inteligência suficiente para perceber o traste antissociável que sou.
por isso, sou desprezível e não mereço outra coisa senão ser ostracizada e condenada à solidão.
é isso mesmo.
vão lá embora, vão.
adeus.
por isso, larguem-me da mão.
deixem-me só, quieta no meu canto, pois o que mais prezo na vida é esta minha solidão.
não gosto de muitas coisas nem de muitas pessoas.
gosto de mim.
acho-me superior em inteligência.
basta-me reconhecê-lo para provar que tenho a inteligência suficiente para perceber o traste antissociável que sou.
por isso, sou desprezível e não mereço outra coisa senão ser ostracizada e condenada à solidão.
é isso mesmo.
vão lá embora, vão.
adeus.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
sarkasmós
sarcasmo
(grego sarkasmós, -ou)
não concordo.
ser sarcástico requer inteligência e requinte.
sagacidade.
o sarcasmo é quase um elogio à pessoa sobre quem se pratica o sarcasmo.
é dar-lhe importância.
e, convenhamos, a maioria das pessoas que trato com sarcasmo não o merece.
merece menos.
merece a indiferença.
*
(grego sarkasmós, -ou)
s. m.
Ironia amarga e insultuosa. = ESCÁRNIO
não concordo.
ser sarcástico requer inteligência e requinte.
sagacidade.
o sarcasmo é quase um elogio à pessoa sobre quem se pratica o sarcasmo.
é dar-lhe importância.
e, convenhamos, a maioria das pessoas que trato com sarcasmo não o merece.
merece menos.
merece a indiferença.
*
quinta-feira, 24 de maio de 2012
solidariedade
só para o caso improvável de passarem por aqui sem irem ali, informo que o meu alter ego tem um leilão solidário a decorrer até domingo.
parece que há alguém que é muito querido destas coisas blogosféricas que precisa de computador para trabalhar por contra própria, porque de momento só tem trabalho por conta própria e o computador que tinha morreu.
o objetivo é reunir o máximo de dinheiro e entregá-lo à destinatária, que provavelmente nos vai ralhar por agirmos nas costas dela.
parece que há alguém que é muito querido destas coisas blogosféricas que precisa de computador para trabalhar por contra própria, porque de momento só tem trabalho por conta própria e o computador que tinha morreu.
o objetivo é reunir o máximo de dinheiro e entregá-lo à destinatária, que provavelmente nos vai ralhar por agirmos nas costas dela.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
oversónia
inventei a palavra agora mesmo, nem me dei ao trabalho de googlar para ver se já alguém dissertou sobre ela.
depois de uma semana (estranha) de insónia - dormir das 8h às 10h e das 16h às 18h - parece-me que estou a sofrer de oversónia.
São 9h da noite e apetece-me ir para a cama, estou sonolenta.
Tenho acordado pelas 8h e adormecido no sofá pelas 23h.
mas é uma chatice, ando a comer mais, a barriga lisa dos dias de insónia desapareceu.
aparentemente só tenho fome de dia.
depois de uma semana (estranha) de insónia - dormir das 8h às 10h e das 16h às 18h - parece-me que estou a sofrer de oversónia.
São 9h da noite e apetece-me ir para a cama, estou sonolenta.
Tenho acordado pelas 8h e adormecido no sofá pelas 23h.
mas é uma chatice, ando a comer mais, a barriga lisa dos dias de insónia desapareceu.
aparentemente só tenho fome de dia.
a anti-fada do lar
eu sei que eu estou para a vida doméstica como os pinguins estão para o havai e que o meu lema de vida é porquê fazer se podes comprar feito.
mas escusam de fazer sorrisos parvos quando digo que não ouvi o telefone porque estava a estender a roupa.
it's a dirty job but someby's got to do it.
pensando bem, não é exatamente um dirty job, uma vez que a roupa está lavada...
mas escusam de fazer sorrisos parvos quando digo que não ouvi o telefone porque estava a estender a roupa.
it's a dirty job but someby's got to do it.
pensando bem, não é exatamente um dirty job, uma vez que a roupa está lavada...
terça-feira, 22 de maio de 2012
ingratidão
as pessoas são, em geral, ingratas.
poderia arranjar desculpas como o andarem muito ocupadas com as rotinas do dia a dia, mas não creio que sirva de desculpa.
bastava um e-mail com um smiley ou a palavra obrigado escrita.
até já me bastaria um simples 'obg', tão em voga.
mas as pessoas são ingratas e eu já devia saber melhor.
quem ajuda, ajuda por gosto, sem cansaço.
mas às vezes quem ajuda quer saber se a ajuda que deu ajudou, se querem que ajude mais.
quem ajudou, e se revelou e se expôs ao ajudar, gostava de ter feedback.
just that.
não quero uma estátua nem uma cesta de ovos ou um ramo de flores.
só quero que me digam 'olha, resultou'... 'sabes, valeu o que me disseste'.
não gosto deste silêncio nem desta frieza.
sabes pá, se resultou foi graças a mim, mas daqui não levas tu mais nada!
pronto.
a ver durante quanto tempo me aguento neste papel de má.
poderia arranjar desculpas como o andarem muito ocupadas com as rotinas do dia a dia, mas não creio que sirva de desculpa.
bastava um e-mail com um smiley ou a palavra obrigado escrita.
até já me bastaria um simples 'obg', tão em voga.
mas as pessoas são ingratas e eu já devia saber melhor.
quem ajuda, ajuda por gosto, sem cansaço.
mas às vezes quem ajuda quer saber se a ajuda que deu ajudou, se querem que ajude mais.
quem ajudou, e se revelou e se expôs ao ajudar, gostava de ter feedback.
just that.
não quero uma estátua nem uma cesta de ovos ou um ramo de flores.
só quero que me digam 'olha, resultou'... 'sabes, valeu o que me disseste'.
não gosto deste silêncio nem desta frieza.
sabes pá, se resultou foi graças a mim, mas daqui não levas tu mais nada!
pronto.
a ver durante quanto tempo me aguento neste papel de má.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
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