sexta-feira, 29 de junho de 2012

uma paisagem de verão

se tivesse de escolher uma paisagem como pano de fundo da minha vida, seria certamente uma paisagem alentejana.
lembro-me dos fins de tarde sentada no banco de pedra do terraço, ao lado do avô estevão, em silêncio, só a olhar, a ouvir os grilos e as cigarras.
e de ele me dizer "como é que há gente que diz que não há nada que ver no alentejo? este campo todos os dias está diferente".
é verdade avô, como é que não percebem?

quinta-feira, 28 de junho de 2012

uma sombra no verão

a minha.
não saio da sombra, principalmente na praia.
não gosto de sentir o sol queimar a pele.
e dá-se um fenómeno estranho: durante uma semana e meia fico dar cor que fica uma pessoa normal depois de dois dias de praia.
é nos últimos quatro dias de férias que o bronze me chega.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

os meus óculos de sol

são imprescindíveis o ano inteiro e tenho-lhes reservada uma gaveta duma cómoda.
essa gaveta fica no hall de entrada e escolher os óculos é a última coisa que faço antes de sair de casa e guardá-los é a primeira coisa que faço quando regresso.
estão dispostos por cores, com a respetiva caixa atrás.
tenho uma vasta coleção.
alguns que já não uso, porque passaram de moda ou porque mudei de penteado e já não me ficam bem,  mas que são recordações de viagens.
o meu mais recente objeto de desejo são uns cat eyes, mas ainda não encontrei nenhuns de que goste.
(também não procurei fora do facebook)

domingo, 24 de junho de 2012

sábado, 23 de junho de 2012

um som de verão

o som das tuas gargalhadas.
adoro ver-te feliz.
e o som das canções que cantamos no carro, aos berros, desafinados.
o verão tem sempre o som da tua voz.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

um cheiro de verão

escale à portofino, dior.
cheira a limão.
descobri-o num aeroporto e também me recorda sempre essa viagem.
há perfumes que nunca mais usei mas que gosto de cheirar nos aeroportos.
sinto o aroma e lembro-me de quem eu era, do penteado e das roupas que usava na altura, das músicas, das pessoas com quem me dava...
são como pequenos frasquinhos de memórias espalhados pelo mundo.
estranhamente só me dá para isto nos aeroportos e sei cada aroma de cor.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

uma coisa que vi neste dia de verão


porque, apesar de todos os pesares, ainda é assim que vejo o mundo (quase) todos os dias, verão ou não.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

as minhas leituras de verão

resumem-se sobretudo a revistas e jornais.
eu faço uma lista das revistas e dos dias em que saiem e prendo na porta do frigorífico.
quando acordo ele está a chegar da corrida matinal, com pão fresco e a revista do dia.
teamwork!

terça-feira, 19 de junho de 2012

um dia no campo no verão

campo só de passagem, tem bichos e é muito parado.
sou moça da cidade.
o campo é bonito nas fotos e parece boa ideia, mas tem de ser coisa para se ir a muitos sítios, ver e fazer coisas.
exceto desportos radicais, aí sobressai a minha costela alentejana.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

os amores de verão

o meu primeiro amor, o meu maior amor de verão aconteceu em elvas, durante a feira de s. mateus. *
eu e a minha prima podíamos circular sozinhas pelo recinto da feira, desde que, de hora a hora, passassemos pelo sítio onde estavam os pais, os avós, os tios, a famelga toda sentada nos bancos de pedra do largo da igreja da piedade, já a postos e em lugar de destaque para assistir à apoteose da noite, o espetáculo de fogo preso.
tínhamos uma hora inteirinha de liberdade para estar nos carrinhos de choque a namoriscar e, finda essa hora, lá rumávamos ao largo da igreja, a diana e a patrícia, e por momentos largavam-se as mãos suadas de adolescentes, enquanto eles davam a volta pelo outro lado e nós acenávamos cá debaixo aos pais, trocávamos duas ou três palavras aos gritos e voltávamos a reencontrar os nossos amores mais à frente.
e foi num desses reencontros, no meio do parque de estacionamento, que ele me deu um beijo.
o nosso primeiro beijo.
o beijo desajeitado, com sabor a pastilha elástica e saliva e que nunca mais se esquece.

domingo, 17 de junho de 2012

as melhores férias de verão

são as duas semanas que passamos no algarve.
pela tranquilidade dos dias, pela rotina (finalmente) a dois, porque sabe bem estar em casa.
gosto de ir todos os anos para o mesmo lugar, de rever as mesmas praias e as mesmas pessoas.
e depois as férias de fim de verão, à descoberta dum novo destino.

sábado, 16 de junho de 2012

o meu bikini

nunca usei fato de banho, acho que só favorece quem já é naturalmente elegante e deve fazer calor.
dito isto, quero manifestar o meu profundo desagrado para com os padrões e modelos de bikinis disponíveis no mercado, para gordinhas e/ou mamalhudas.
não sei se a indústria têxtil lê notícias ou está a par das estatísticas, mas cada vez somos mais.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

a minha toalha de praia

a minha toalha de praia está sempre cheia de areia.
não sei como as outras pessoas conseguem, mas para mim é missão impossível não ter areia na toalha de praia.
e depois transporto essa areia para o carro, para casa...

quinta-feira, 14 de junho de 2012

praia da coelha


a praia do meu verão

é uma piscina.
não vou fazer publicidade, mas é uma piscina de água salgada aquecida, sobre uma marina, com camas exóticas e onde à noite há festas.
gosto muito do cantinho de algarve para onde costumo ir.
tenho muitas praias perto: salgados, galé, coelha, s. lourenço, s. rafael, castelo, evaristo...
gosto de praias pequeninas e recatadas.
ele gosta de areais largos.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

o que mais gosto de comer no verão

saladas e peixe grelhado.
adoro as minhas férias no algarve porque há muitas variedades de peixe e o sabem grelhar bem.
pena a maioria dos restaurantes não serem muito criativos nas saladas.
(já repararam que só há peixe bem grelhado em portugal?)
e para intervalar vai de chicken piri-piri.

terça-feira, 12 de junho de 2012

as noites de verão

há muito tempo que não há daquelas noites quentes em que só apetece estar na rua.
agora as noites de verão são frescas de andar com casaco atrás.
ainda assim, parece que são maiores.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

as tardes de verão

as tardes de verão são longas, o tempo parece esticar.
o fim da tarde é a altura em que mais gosto de estar na praia.
com menos calor e menos gente.
mas ele não deixa.
se estamos no algarve porque temos de ir jantar sem confusão.
se estamos por lisboa é por causa do trânsito.
ele é um chato.

domingo, 10 de junho de 2012

as manhãs de verão

nas manhãs de verão acordo mais cedo por causa da claridade.
deve ser o biorritmo.
gosto de aproveitar as manhãs quando estou de férias.
mas adoro dormir até tarde quando estou a trabalhar.

sábado, 9 de junho de 2012

o meu cabelo de verão

é igual ao do resto do ano, vou sempre à cabeleireira (apesar da escova progressiva).
exceto durante umas 3 semanas por ano (férias).
aí é como deus quiser que eu não tenho mão nele (apesar da escova progressiva).
há quem vá à missa, eu vou à cabeleireira.
é a minha devoção.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

festas, arraiais e festivais

festa a sério, que animava o fim dos meus verões, era a procissão dos pendões, que transporta a imagem de jesus da sé para a igreja da piedade, onde o santo fica uma semana, durante a feira de s.mateus, até regressar à sé de elvas.
a igreja da piedade tem uma capela de de ex votos, com paredes e tetos forrados de promessas.
tranças de cabelo, pinturas a óleo que remontam a 1924, pés, mãos, pernas de cera, colchas bordadas a fio de ouro, fotos de jovens fardados que partiam para o ultramar e fotos de noivos que assim pediam a benção do santo para o seu compromisso.
e é no teto dessa capela que sempre procuro avidamente a foto do casamento dos meus pais.
e lá fico eu a olhar, pescoço esticado e coração tolhido, a moldura de prata cheia de verdete e os meus pais tão jovens, mais jovens que eu, com tantos sonhos por cumprir.

{a foto}

quinta-feira, 7 de junho de 2012

a minha bebida preferida no verão

não gosto de álcool.
mas no verão dá-se o caso de gostar de sangria, vinho branco e caipirinhas.
especialmente caipirinhas.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

o meu calçado de verão

não gosto de chinelos nem de sandálias rasas nem de andar descalça.
não gosto de sentir coisas nos pés.
havaianas só para ir e vir da praia.
gosto de saltos altos.
(deve ser mais uma fobia)

terça-feira, 5 de junho de 2012

um segredo de verão

desde a adolescência que não me lembro de ter segredos de verão.
nessa altura eu e a minha prima inventávamos nomes falsos para os rapazes que se metiam connosco.
invariavelmente, eu era a patrícia e ela a diana, piroseiras dos anos 80 que achávamos cool.
e houve um verão em que a mentira foi um bocadinho mais longe, em nome da liberdade e do amor.
ela teria uns 16 anos e eu uns 12  e estávamos sózinhas em elvas, sem pais.
fazíamos as refeições em casa da avó céu (mãe das nossas mães) e íamos dormir a casa da avó custódia (mãe do pai dela) (ambas tínhamos os avôs vivos, mas as casas sempre foram das avós).
ora como duas meninas de bem e da cidade, tínhamos de andar guardadas.
todas as tardinhas, depois do jantar, era suposto o tio domingos escoltar-nos até ao local da dormida.
mas nós ainda queríamos dar uma volta, catrapiscar uns moços (a avó céu obrigava-nos a jantar às 7h para não irmos 'de noite') e estávamos fartas do cicerone.
um dia combinamos dizer ao tio domingos e à avó céu que o avô da minha prima (como se chamava o senhor??) nos ía buscar a meio caminho, para o tio não se cansar tanto.
e em casa da avó custódia manteve-se a história de que o tio domingos nos escoltava até à porta de casa.
a partir desse dia passamos a ter meio percurso por nossa conta e risco!
isto é, a patrícia e a diana.
até hoje me admira não termos sido apanhadas que a avó céu sempre foi muito ladina e desconfiada.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

o que não gosto no verão

na verdade gosto de poucas coisas no verão.
não gosto de temperaturas acima dos 28ºC.
não gosto da hipersensibilidade que causa na minha pele.
não gosto que me faça ter enxaquecas.
não gosto que me faça inchar os pés.
não gosto que me faça sentir enjoada em viagens.
não gosto das praias cheias de gente.
não gosto dos mosquitos.
a verdade é que 'engravido' no verão, passo mal com o calor.

domingo, 3 de junho de 2012

o que não pode faltar no meu verão

1) protetor solar.
2) spray de água termal.
3) óculos de sol.
4) brincos.
5) sapatos e sandálias de salto alto.
6) música.
7) vestidos.
8) amigos.

1) e 2) porque sou uma lula com pele do rosto intolerante, que fica um tomate só de ir ali à esquina.
3) porque tenho fotofobia.
4) porque sou uma pirosa e uso brincos até na praia e na piscina, a combinar com o bikini, claro.
5) não abdico dos saltos altos, detesto andar rente ao chão e sentir coisas nos pés.
6) música porque sim, sempre.
7) porque sempre adorei e há mais de um ano que só uso vestidos.
8) porque a vida só assim faz sentido.

sábado, 2 de junho de 2012

o verão numa cor

só pode ser amarelo.
sempre gostei de amarelo.
a minha canção favorita de sempre chama-se yellow.
yellow é a palavra passe que mais uso para tudo.
planeei ter uma cozinha amarela e competi com a minha prima por uma filha chamada rita que ía ter um quarto decorado a amarelo.
(nenhuma de nós teve a rita)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

o verão da minha infância

os verões da minha infância eram longos e quentes.
mal começava o tempo bom, a tia aprumava-me com vestidos de folhos e prendia-me o cabelo, para o meu pai me levar ao parque.
o meu pai trabalhava por turnos, numa fábrica perto de casa, e saía às quatro da tarde.
levava-me ao parque e depois levava-me com ele para as tascas, onde se falava de futebol e havia petiscos e um papagaio que dizia palavrões, e onde aprendi a jogar sueca e dominó.
nos verões da minha infância havia brincadeiras na rua e muitos tios e primos.
nos verões da minha infância eu passava férias com os tios do seixal e com os tios de setúbal e acabava sempre na casa dos avós em elvas.
também ía à praia à figueirinha e a troia e fazia piqueniques no guadiana.
mas o que mais me lembro é  de descer a ladeira da casa da avó céu a correr, com socas de madeira nos pés, aquela ladeira tão íngreme, forrada a enormes pedras pretas redondas.
e dos segredos e das cumplicidades trocadas com a minha prima irmã, coisas de meninas que haviam de crescer sempre ligadas pelo coração.
lembro-me que à noitinha saíamos em família para comer um gelado, do calor húmido que fazia com que tudo se colasse à pele e do ar inebriado pelo cheiro do jardim das laranjeiras*.
os verões da minha infância eram incomparavelmente mais felizes do que quaisquer outros verões por vir.