terça-feira, 29 de janeiro de 2013

escrever um livro

uma vez, em 2004, sentei-me num café perto do saldanha a fazer tempo para uma reunião.
e peguei no caderninho de então e escrevi.
na altura não tinha blog, mas sempre gostei de escrever para mim.
quando o empregado me trouxe a bica pingada e o copo de água - em 2004 eu bebia bica pingada - perguntou-me em tom de gozo se estava a escrever um livro.
fiquei ofendida com o tom jocoso do empregado.
não sei porque é que me senti tão afetada nem sei porque é que me lembrei deste episódio agora.
mas fiquei incomodada, tinha planeado passar ali muito tempo e já não me apeteceu.
bebi a bica pingada e o copo de água, paguei e fui ao centro comercial arranjar as unhas no salão do beauté.
acabou por ser uma situação caricata mas divertida, e mais cara, coisa para um destes dias ser contada no blog ali ao lado. 
aqui não.
aqui só falo de coisas sérias.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

perder o comboio

por estes dias não tenho tido assunto.
resta-me fazer um levantamento dos locais onde me costumo sentar com o computador para tentar aferir quais me dão mais ou menos inspiração.
como aquele estudo que apurou que a pior hora das mulheres é às 15:03 de quarta-feira.
todas as quartas feiras.
excepto feriados, suponho.
tenho mais inspiração muito tarde na noite, mas também quando acordo muito cedo, como hoje.
antes tinha mais inspiração de manhã, a caminho do trabalho, no comboio.
escrevia no comboio, tópicos, ideias, parágrafos.
talvez esteja a precisar dum passeio de comboio.
o problema é que me parece que os comboios estão em greve todas as quartas feiras.
e provavelmente segundas, terças, quintas e sextas.
aos feriados tem sido certo.

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acho que posso encaixar o dia de hoje na categoria depressão.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

filtro

o que falta às pessoas é o filtro.
e não falo de filtros fotográficos para criar realidades alternativas.
e não falo do filtro como nos cigarros, que impede que algo mais nocivo invada o interior da pessoa.
é exatamente o oposto.
as pessoas precisam de filtrar as porcarias com que tentam invadir o interior das outras pessoas.
filtro, pessoas, filtro.
muito menos.
agora pensem.
...
não resisti a usar uma frase que virou chavão na casa dos segredos.
dizem qualquer tolice - só dizem tolices - e atiram para o ar agora pensem.
lá está, falta de filtro, nem percebem que quem tem de pensar primeiro é quem fala e antes de falar.
...
também devia ter filtrado que vejo a casa dos segredos.
arruinei qualquer resquício de aura intelectual que este blog podia sugerir.
como um filtro fotográfico.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

hibernação

depois do leão chegou o urso que tomou conta do meu corpo.
sou um urso em hibernação.
durmo muito, mais horas seguidas dos que as que julguei serem possíveis.
o sono ajuda-me a enfrentar os problemas.
ou a negá-los.
seja o que for, tenho sono.
e durmo.
durmo muitas horas seguidas e passo os dias de pijama.
não me sinto mal, apenas ensonada.
talvez num estado de semi insconsciência em que a realidade se confunde com os sonhos.
nunca me lembro do que sonho a não ser quando durmo muito.
não gosto dos meus sonhos, preferia não me lembrar.

domingo, 6 de janeiro de 2013

tenho um leão na barriga

tenho um leão na barriga e ruge.
ruge alto e incessantemente.
ontem acordei enjoada e tudo o que consegui ingerir foi água com gás.
hoje bati no fundo da dignidade alimentar, comi corvina cozida.
corvina, só o nome é uma coisa deprimente.
dormi uma sesta e acordei com o leão na barriga.
e é muito incomodativo.
e barulhento.
o que se passou entre a corvina e a minha barriga durante uma curta sesta não sei.
mas quero tirar o leão da minha barriga.
não se cala.
e já me doi a cabeça, acho que vem aí um enxaqueca.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

viver tristes

o título do post anterior remeteu-me para a adolescência e para uma das frases mais odiadas de sempre por mim: "estamos a viver tristes".
a minha mãe tinha a mania de terminar os sermões com esta frase, quando me queria moer a cabeça.
"estamos a viver tristes", dizia ela.
e inisistia "estamos a viver muito tristes".
para mim a única tristeza era ter de a ouvir dizer isto, porque em bom português é uma frase sem sentido.
ninguém lhe tinha perguntado nada para que isto fosse uma resposta e como frase solta é estranhamente incompleta.
não me lembro porque é que a minha mãe me dava sermões, eu sempre fui atinada.
mas eu eliminei quase todas as recordações sobre a minha mãe.
crescer com uma mãe bipolar que assumidamente nos trata como um empecilho na sua vida tem destas coisas.
há uma mãe antes de eu ser independente e outra mãe depois de eu conquistar a minha independência e deixar de viver com os meus pais.
agora eu gosto da minha mãe e até acho que somos parecidas de cara.
não sei se gosto dela como se gosta duma mãe, mas isso nunca vou saber.
a minha mãe, às vezes, continua a ser uma cabra para mim.
mas eu já consigo relativizar e não ficar magoada.
normalmente é por telefone e eu desligo com um "agora não posso falar".
presencialmente é mais humana.
infelizmente acho que a minha mãe está a viver triste, como ela diria.
mudou-se para casa da minha tia, que à sua maneira consegue ser ainda mais mázinha que a minha mãe, e de resto só me tem a mim.
portanto, atura o veneno da minha tia e eu não lhe dou assim tanta atenção.
está velha, doente e aposto que gostava de estar ainda mais sozinha, ela sempre gostou de estar sozinha, mas agora está presa à irmã.
eu tento que ela dê o grito do ipiranga, digo-lhe sempre que volte para casa dela e viva a vida dela à maneira dela que a minha tia terá de compreender e que contará com o meu apoio.
claro que a minha tia não compreenderia e clamaria aos sete ventos tamanha ingratidão.
a minha tia está habituada a manipular as pessoas e não são os oitenta anos que carrega que a impedirão de agir como sempre agiu.
foram estas duas mulheres que me criaram, a bipolar e a raínha do gelo.
sei que parece crueldade referir-me a elas assim, mas eu própria tenho de lidar com a minha quota parte de traumas e ressentimentos.
seja como for gosto das duas, duma maneira que não sei se é o gostar de filha, mas que é como gosto delas.
e não queria que elas estivessem a viver tristes, mas acho que estão.

começamos mal

levantei-me bem disposta mas depois fui ficando com dores de estômago (só comi uma sopa e um chá), com dores no corpo, com frio.
estou doente e não sei porquê.
consola-me pensar que a julgar pelo tempo que passei na casa de banho já eliminei parte das banhas acumuladas nestes dias.
uma nojice, mas é verdade.
a febre passou mas parece que levei uma tareia, ainda nem são 6 da manhã e já não me apetecia estar na cama.
mas acho que vou voltar para lá, as dores de estômago não me deixam estar sentada.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

flashback

entrar em casa e ouvir vozes de crianças a cantar uma música das doce.
amanhã de manhã...

objetivos

não gosto de ter objetivos.
nunca tive outro objetivo na minha vida pessoal que não o de ser feliz.
mas este ano acho que preciso de objetivos.
reais.
quero escrever todos os dias um resumo dos meus pensamentos numa agenda/diário.
e ler um livro.
comecemos por aqui.