quinta-feira, 29 de agosto de 2013

{ms. magoo}

aferir a correção de que os nossos olhos precisam é uma das coisas mais difíceis do mundo.
"melhor assim ou assim" e eu sei lá, repita se faz favor, mais devagar, talvez assim mas não estou certa.
"melhor verde ou vermelho" e parece-me a mim que nem um nem outro, podemos experimentar com amarelo?
é terrível, fico com a sensação de que não vejo bem de maneira nenhuma e a pressão para me concentrar, porque umas lentes graduadas são uma coisa demasiado cara para se andar a tentar acertar.
"tem lentes" pergunta ele, não, claro que não, se não como fazia a consulta?
"tem maquilhagem" pergunta agora e respondo que não, "nem nas pestanas" já disse que não, as minhas pestanas são mesmo assim.
"mas não tem lentes" insiste e eu estou quase a perguntar-lhe se é surdo, esquecido ou parvo, mas respondo novamente que não.
"mas consegue ver", sim consigo, sou míope mas não sou cega.
lá mais adiante na consulta há-de perguntar insistentemente se uso os óculos e hei-de repetir que até uso mais os óculos do que as lentes de contacto.
vai dizendo várias vezes "curioso" e fico a saber que a miopia diminuiu e o astigamatismo aumentou e diz que desta vez ainda não, mas que da próxima já devo precisar de lentes progressivas.
lentes progressivas? eu?
que porra.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

{to busy}

sou uma pessoa muito ocupada.
acordei às 10:30h, tomei banho, fui a uma consulta de oftalmologia, voltei para casa, comi, vi as parangonas da net, fiz um telefonema, escrevi este post e agora vou dormir mais um bocadinho.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

{maravilhosos 3 anos}

aparece na sala com os braços carregados de bonecada e deixa-a caír no lugar do avô no sofá.
e eu digo-lhe, em tom de repreensão, porque sei que o avô não gosta que ele desarrume muito a sala, "mas o que é isso tudo?".
e ele responde, muito sério, "isto são as coisas mais maravilhosas que eu tenho, que são os meus brinquedos".

domingo, 25 de agosto de 2013

{ortónimo}

questiono-me como será a minha vida sem um blog?
será que aguento?
será que sou feliz?
bem, falo do outro blog, que este ainda é um pequeno segredo.
aqui não venho por querer que saibam de mim, mas porque me apetece escrever sobre mim.
mas o que é a escrita sem retorno?
um diário?
escrever não é per si um ato de exibicionismo, ainda que eventualmente encapotado por um heterónimo?
aposto que dava dez a zero a fernando pessoa nesta coisa dos heterónimos.
sou sempre eu, mas tenho tantas facetas, tantos humores, tantos sentires, tantos alter-egos.

ortónimo 
(orto- + -ónimo

s. m.

1. Nome verdadeiro, real. = AUTÓNIMO

adj.

2. Que se refere a ou usa o nome real de alguém.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

{note to self}

parar de comer com o portátil ao colo.
as migalhas prendem as teclas e quando releio posts descubro erros.

{stop searching, start finding}

foi também mais ou menos por esta altura que me apaixonei pelo pedro paixão.
não foi apaixonei-me por pedro paixão, foi apaixonei-me pelo pedro paixão.
procurava avidamente saber tudo sobre ele, imaginava-o, lia citações, entrevistas, desejava-o.
foi assim.

(talvez por isso não me sentiria nem surpresa nem desiludida, muitos anos mais tarde, ao saber que ele é bipolar, que escreve na cama, tal como eu escrevia, e viria mesmo a sentir uma forte identificação para com o objeto de admiração)

carregava sempre comigo o livro "saudades de nova iorque", uma cidade que não conheço, e durante a viagem de comboio lisboa-sintra eu fugia para nova iorque, percorria ruas escuras, fumava cigarros e sentia ao meu redor o cheiro do metal quente dos carris.
sofria e expiava e elevava-me acima da minha dor.
havia uma frase repetida ao longo do livro que se tornou no meu mantra, que eu repetia mentalmente, que escrevia na beira das folhas dos cadernos e que queria muito perceber.
"stop searching, start finding".
e como eu precisava desesperadamente de começar a encontrar alguma coisa na minha vida, alguma coisa para além do que restava de mim, alguma coisa para além de sangue e orgãos e ossos e músculos e carne.
eu precisava tanto, tanto, tanto de uma alma!

lembro-me que tinha umas botas num tom camel quase mostarda com uma mochila da mesma cor, nunca tinha tido uma mochila, ainda que de senhora, e gostava da liberdade de movimentos que a mochila permitia.
num dia desses conturbados dias, ía eu apanhar o comboio, com as botas calçadas e a mochila às costas, calças e blazer azul escuro, camisa branca com um nó na cintura (era magra e de cara encovada pelo sofrimento que trazia em mim), mãos nos bolsos, quando reparei num homem que não tirava os ohos de mim.
o homem olhou durante muito tempo e aquilo fez-me bem, de alguma forma senti-me menos só e invisível, mas quando me sentei percebi que trazia a braguilha aberta.
ri para dentro, de mim mesma,  peguei no livro e lá estava outra vez aquela frase "stop searching, start finding" e pensei que se ainda conservava o humor e o sentido do ridículo, talvez afinal eu estivesse no bom caminho, num caminho qualquer para outra coisa melhor e mais feliz.
nesse dia o comboio fez lisboa-sintra e eu não fui até nova iorque, fiquei por ali, a reparar nas coisas e nas pessoas.

http://www.pedropaixao.net


{no pressure over cappuccino}

ía jurar que já aqui tinha escrito sobre a importância da alanis morissette na minha vida, mas parece que não.
eu e a alanis tivemos uma relação de profunda intimidade na pior fase da minha vida.
quando eu estava só no mundo, foi a alanis que me amparou.
foi ela que me deu colo e coragem.
quando eu já não aguentava mais ser tão forte, foi a ela que revelei a minha fraqueza.
eu tinha iniciado a minha travessia no deserto fazia tempo e estava no ponto sobre o qual se diz "quando estiveres a atravessar o inferno não pares, continua" e ela apareceu-me como um oásis.
o álbum chamava-se unplugged, que era como eu estava, desligada das máquinas, desligada da vida, desligada de mim.
sei de cor cada palavra de cada canção, o tempo dos instrumentos, a rouquidão da voz.
levava os dias, do que me lembro da imensidão desses dias vazios, a pensar no que ela dizia e mal podia esperar para chegar a casa e me sentar a sós com ela no chão da sala.
passamos muitas noites assim, a escutarmo-nos uma à outra, entre almofadas e chá quente num chão frio, quase sem dormir.
por fim tudo aconteceu como ela me disse, that i would be good...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

{don't you think?}


{isn't it ironic?}

durante as minhas férias no algarve, recebi um e-mail duma jornalista que queria falar comigo pois estava a fazer uma reportagem sobre pessoas que não gostam do verão e alguém lhe tinha enviado o link deste post.

{ainda numa outra realidade paralela}

a minha mãe comprou uma vibroplate.
para que quer uma mulher de 70 anos que nunca se preocupou com a aparência uma máquina que serve para enrijecer as carnes?
podia ser para me oferecer, mas não.
diz que foi para o moço que lhe apareceu à porta a vender tudo mais um par de botas não perder o emprego.
então a minha mãe comprou a vibroplate e um cadeirão que faz massagens e um colchão ergonómico e umas enciclopédias e outras coisas que prefiro nem saber.
o moço ficou com o emprego mas eu fiquei sem parte da herança.
enfim, nem tudo é prejuízo, as minhas carnes vão certamente enrijecer, mas entretanto tenho de arranjar quem me carregue a vibroplate dum 3º andar sem elevador até à minha casa.
e como há mais umas coisas para despachar, ando há procura duma empresa de mudanças low cost.
(é o google que lhes chama low cost, não sou eu, que até as acho caras)
falo com um homem ao telefone, parece-me bem mas quer que lhe envie um e-mail.
está bem, qual é o e-mail?
castor - ponto - s a l t i t ã o - arroba...

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

{numa qualquer realidade paralela}

eu entrava em casa e atirava com os sapatos de salto alto para um canto, desapertava a saia que caía no chão e largava-me para cima do sofá ainda a ler o correio.
no ar ouvia-se uma qualquer música quase jazz, tu aparecias com um copo de vinho tinto na mão, eu bebia um golo e de seguida massajavas-me os pés de unhas vermelhas impecavelmente pintadas, como nos filmes.
mas tu chegas sempre a casa depois de mim e eu não gosto de vinho e as unhas dos pés estão impecavelmente pintadas, mas só três, as que se vêem quando calço os sapatos abertos.
e não te deixava tocar nos meus pés sujos e suados, sabes como sou esquisita com os pés.
como é a finjir podíamos jantar sushi e fazer amor logo de seguida, sem preguiça ou problemas de digestão, e a minha lingerie seria preta e sexy, em vez deste bege deslavado do costume.

sábado, 17 de agosto de 2013

{longas são as noites que passo a dormir}

sonho sempre com o homem com quem vivi, não com o homem com quem vivo.
e nos sonhos, como na realidade, ele volta a fazer-me mal.
é como se o tempo voltasse atrás e eu continuasse à espera, a aguentar, a finjir, a tentar manter um show de marionetas com um emaranhado de fios a escapar-me dos dedos.
estranho é achar que não o amei.
ou secalhar amei e as preocupações eram tantas que entretanto me esqueci.
ou preferi esquecer.
o que eu sei é que o mal não se esquece.
e ele fez-me mal.
tudo à volta dele me causou tanto mal.
esqueci tudo, empurrei tudo para o sítio mais longe em mim, mas à noite ele foge desse sítio de mim que não sei onde é e invade-me os sonhos.
e eu acordo não como quem acorda dum sonho, mas como quem regressa do passado.
com a cabeça confusa e dorida que o coração já não se manifesta.
estranho é só sonhar com as pessoas que me fizeram mal, este homem e a minha mãe, nunca tenho sonhos bonitos.
também acordei a meio da noite e pensei que me doía um dente e fui lavar os dentes e voltei para a cama e agora não sei se seria sonho também.
tenho de parar de comer pastilhas elásticas umas atrás das outras.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

{preguiça, do latim pigritia}

ando uma preguiça.
não, não é uma preguiçosa (se bem que isso também), é mesmo uma preguiça, bicho.
ando por aqui, sem me afastar da minha zona de conforto (a casa, eu gosto tanto de estar em casa), com ar bonacheirão, o corpo indolente, a mente dormente, uma come e dorme, na paz dos anjos, tásse bem.
penso logo adio, podia ser o meu lema.
há temas que me apetecia desenvolver, aprofundar, posts que penso escrever mas que demoro e depois, depois olha, alguém já pensou o mesmo que eu e se assim o pensou, melhor o escreveu, do que eu, que nada escrevo.
fico-me assim na diáspora, na espuma dos dias, tudo fácil, tudo leve.
tantos livros por ler, filmes por ver, coisas para escrever, lugares para descobrir, gente para abraçar.
a casa, esta casa, às vezes é maldita, mais parece uma gaiola onde me prendo a mim mesma.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

{e o feriado?}

foi bom.
dormimos muito e juntos, o que nem sempre acontece.
ele ressonou, eu não.
acordamos tarde e com fome e fizemos um festim de restos de comida acompanhados com batata frita de pacote e vinho rosé.
vimos filmes e séries, lemos livros e revistas.
não fomos a lado nenhum, não fizemos nada.
ficamos quietos e juntos a aproveitar o silêncio da casa (dele), o que agora raramente acontece desde que somos avós.
demos beijinhos, namoramos.
os pés dele meteram-se com os meus e eu deixei, porque sei que ele gosta de me fazer as coisas que eu não gosto que ele me faça.
reclamei da barba dele e ele disse-me que sou bonita.
rimos e inventamos discussões sobre assuntos que esquecemos logo a seguir.
vimos o por do sol do sofá, com as janelas abertas de par em par.
foi um dia bom e eu não trocava um segundo desta tranquila cumplicidade por nenhuma paixão.
espera, isto é estar (ainda) apaixonada.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

{o sr. lourenço}

hoje lembrei-me do senhor lourenço, o dono da papelaria/tabacaria lá da rua onde cresci.
o senhor lourenço era alto e grisalho e dava-me pastilhas gorila.
tinha o nome mais esquisito e feio do mundo, achava eu do alto da minha (pouca) experiência de vida.
simpatizava com ele, tinha um ar bondoso, mas não lhe dava muita confiança.
por aqueles dias eu não dava confiança a ninguém, era muito senhora do meu nariz e todo o meu mimo era para o meu pai.
a loja do senhor lourenço era ao cimo da rua, fora do alcance de visão da janela de casa, e eu só lá ía acompanhada, normalmente com o meu pai, meter o totobola.
a papelaria/tabacaria do senhor lourenço ainda existe, mas já não me parece bonita nem grande e nem me deram pastilhas por lá ter ido.
e eu, que adoro mudanças, estou para aqui a pensar que há coisas que nunca deviam mudar, que deviam permanecer iguais ao que são na nossa memória.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

{o sono}

tenho problemas com o sono, sempre tive problemas com o sono, não gosto de dormir mas ah é tão bom dormir.
não sou pessoa de ter muito sono e pumba caír para o lado.
não, eu sou mais de começar a pensar que tenho de ir dormir, mas que ainda não me apetece ir dormir apesar de já estar com um bocadinho de sono e acabo por vencer o sono porque não me apetece largar o que estou a fazer para ir para a cama.
no dia seguinte tenho dores de cabeça, falta de energia e de concentração.
ou então vou para a cama tentar dormir e penso muito em muitas coisas diferentes, acho que se chama a isso sonhar acordada, e demoro uns quarenta minutos a adormecer.
às vezes fico com dores de cabeça à mesma porque me ponho a imaginar que horas serão e eu sem dormir, mas não vou ver para não me enervar mais.
parece-me que o meu  problema é a trasladação do sofá para a cama, por isso estou a pensar abdicar da cama e comprar um sofá gigante.
aliás, apetece-me esvaziar a casa toda e ficar só com o sofá gigante.
mas depois, quando consigo adormecer e não tenho sonhos e durmo tranquila, acordo ao fim de muitas horas e penso que dormir é tão bom, que bom que é estar ali na caminha e viro a almofada para estar mais fresca e viro-me a mim e fico na cama a dormitar até não aguentar mais o corpo dorido.
mas o sono é um velhaco e eu deterorio-me muito durante o sono.
vou para a cama de pele lisa e sedosa e uma hora depois de me ter levantado ainda tenho um vinco de almofada na cara.
e acordo quase sempre com uma borbulha, não sei porquê, vou para a cama de pele lisa e sedosa e algures nesta minha cara complicada nasce uma pequenina borbulha com cabeça branca, nas abas do nariz, junto à raíz do cabelo ou no queixo, donde se conclui que o sono me faz borbulhas.
e de tanto falar nele tenho efetivamente algum sono, apetecia-me tão mais fazer outras coisas, mas vou dormir.