o meu primeiro amor, o meu maior amor de verão aconteceu em elvas, durante a feira de s. mateus. *
eu e a minha prima podíamos circular sozinhas pelo recinto da feira, desde que, de hora a hora, passassemos pelo sítio onde estavam os pais, os avós, os tios, a famelga toda sentada nos bancos de pedra do largo da igreja da piedade, já a postos e em lugar de destaque para assistir à apoteose da noite, o espetáculo de fogo preso.
tínhamos uma hora inteirinha de liberdade para estar nos carrinhos de choque a namoriscar e, finda essa hora, lá rumávamos ao largo da igreja, a diana e a patrícia, e por momentos largavam-se as mãos suadas de adolescentes, enquanto eles davam a volta pelo outro lado e nós acenávamos cá debaixo aos pais, trocávamos duas ou três palavras aos gritos e voltávamos a reencontrar os nossos amores mais à frente.
e foi num desses reencontros, no meio do parque de estacionamento, que ele me deu um beijo.
o nosso primeiro beijo.
o beijo desajeitado, com sabor a pastilha elástica e saliva e que nunca mais se esquece.
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