desde a adolescência que não me lembro de ter segredos de verão.
nessa altura eu e a minha prima inventávamos nomes falsos para os rapazes que se metiam connosco.
invariavelmente, eu era a patrícia e ela a diana, piroseiras dos anos 80 que achávamos cool.
e houve um verão em que a mentira foi um bocadinho mais longe, em nome da liberdade e do amor.
ela teria uns 16 anos e eu uns 12 e estávamos sózinhas em elvas, sem pais.
fazíamos as refeições em casa da avó céu (mãe das nossas mães) e íamos dormir a casa da avó custódia (mãe do pai dela) (ambas tínhamos os avôs vivos, mas as casas sempre foram das avós).
ora como duas meninas de bem e da cidade, tínhamos de andar guardadas.
todas as tardinhas, depois do jantar, era suposto o tio domingos escoltar-nos até ao local da dormida.
mas nós ainda queríamos dar uma volta, catrapiscar uns moços (a avó céu obrigava-nos a jantar às 7h para não irmos 'de noite') e estávamos fartas do cicerone.
um dia combinamos dizer ao tio domingos e à avó céu que o avô da minha prima (como se chamava o senhor??) nos ía buscar a meio caminho, para o tio não se cansar tanto.
e em casa da avó custódia manteve-se a história de que o tio domingos nos escoltava até à porta de casa.
a partir desse dia passamos a ter meio percurso por nossa conta e risco!
isto é, a patrícia e a diana.
até hoje me admira não termos sido apanhadas que a avó céu sempre foi muito ladina e desconfiada.
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