terça-feira, 18 de dezembro de 2012

sou carneiro

quando eu fui para o colégio, aos cinco anos, todos os meses a minha mãe me lia em voz alta o que a professora escrevia na "caderneta de comportamento": participativa, observadora, mas com mau génio.
o problema é que passados estes anos todos o mau génio não desapareceu.
e é sempre o mau génio o primeiro a vir ao de cima.
o meu primeiro instinto é o de carneiro, o de levar tudo à frente, de marrar contra tudo e contra todos.
e nem sequer acho que seja impulsividade, porque na maior parte das vezes tenho a noção do estrondo, consigo vislumbrar a dimensão e a gravidade das consequências dos meus atos.
ainda assim é mais forte do que eu, a minha primeira reação é pensar quantos são, venham todos, vamos a eles que até os comemos.
e esta fúria consome-me, deixa-me roída por dentro quando me contrario e não lhe dou largas.
a agravar tudo isto sou rápida de raciocínio e gosto de esgrimir palavras.
sou contundente, incisiva, sei perfeitamente onde calcar para doer.
mais, raramente tenho dúvidas e nunca me arrependo.
isto para justificar que andei um dia inteiro com uma coisa na cabeça, a tentar minimizá-la, a empurrá-la lá para trás, a respirar fundo, a contar até mil, a interiorizar o mantra da superioridade e aquela ladaínha infantil do ricochete na couraça da minha indifererença.
mas sou carneiro.
ah porra e que bem me soube!

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